- Pakistan intensificou ataques aéreos e combates na fronteira com Afeganistão, após meses de frustração com a insurgência no território vizinho.
- O ministro da Defesa paquistanês disse que a paciência acabou e pediu que o Taliban interrompam ataques de militantes paquistaneses que usam o Afeganistão como refúgio.
- O Taliban negam que o território seja usado contra o Paquistão e pedem negociações com Islamabad.
- A Tehreek-e-Taliban Pakistan, insurgência paquistanesa, tem aumentado ataques no Paquistão desde a ascensão do Taliban ao poder, com apoio recente do grupo no Afeganistão.
- Analistas dizem que a estratégia paquistanense de golpes aéreos e bloqueio econômico visava forçar mudança de postura, mas ampliou o nacionalismo afegão e dificultou a cooperação regional.
Pakistan amplifica a tensão com o Afeganistão após erro de cálculo com o Taliban
Dias após o Taliban tomar o poder em Kabul, Islamabad sinalizava acordo com o grupo. O episódio é visto como falha na avaliação de que os insurgentes dariam garantias de estabilidade e cooperação.
Nesta semana, o país lançou ataques aéreos no território afegão, enquanto tropas dos dois lados se confrontaram na fronteira, ampliando o risco de escalada regional.
Contexto regional
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, disse que a paciência acabou, após pedir repetidamente ao Taliban que impeçam ataques a partir de solo afegão. Analistas apontam que o Paquistão subestimou a relação entre o Taliban e o Tehreek-e-Taliban Pakistan TTP.
Especialistas ressaltam que a mudança envolve também o enfraquecimento do Irã na região ocidental e a percepção de que o Paquistão não pode mais contornar ataques internos. O Taliban nega uso de território paquistanês contra o Paquistão e convoca negociações com o movimento TTP.
Desdobramentos e leituras
O TTP, que já atuou no Paquistão desde 2007, intensificou ataques contra forças de segurança após a ascensão do Taliban em Kabul. Observadores avaliam que o grupo busca impor uma vertente extremista de Islamismo no Paquistão, onde a Constituição prevê alinhamento com a fé.
Mudanças na região também aparecem como resposta à estratégia paquistanesa, que combinava ações contra insurgentes no interior com cooperação estratégica com os EUA. Segundo analistas, o episódio atual representa um recuo de Islamabad, que enfrenta o custo de manter uma política de contenção.
Entre na conversa da comunidade