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Enrique Márquez, o homem que ponderava

Da prisão em El Helicoide ao discurso do Estado da União no Capitólio, Márquez surge como articulador de consensos e possível ponte para a transição democrática

Enrique Márquez en Washington, el 24 de febrero.
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  • Em 2015, Enrique Márquez, engenheiro e político, acompanhou a vitória da oposição venezuelana na Assembleia Nacional, com 112 de 165 cadeiras.
  • Em 2021, tornou-se presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE); havia deixado o partido UNT em 2018 e formou parceria com Roberto Picón, contribuindo para o que muitos chamaram de o “melhor CNE” dos últimos anos.
  • Em agosto de 2024, foi condenado à prisão por questionar a decisão do Tribunal Supremo de Justiça sobre fraude eleitoral; segundo testemunhas, disse a Nicolás Maduro que “não ganhou essa eleição”.
  • Em 24 de fevereiro de 2026, pouco depois de deixar o Helicoide, Márquez apareceu no Capitolio, em Washington, durante o discurso da State of the Union, em divulgação pública promovida por Donald Trump.
  • Análises indicam que Márquez é figura que busca consensos e pode ter papel relevante na oposição venezuelana, mas não é visto como líder popular com amplo respaldo popular.

Enrique Márquez, engenheiro e veteraníssimo atuante da política venezuelana, percorre uma trajetória marcada por mudanças de poder e de alianças. Em 7 de dezembro de 2015, durante eleições parlamentares, sua coalizão colecionou vitórias expressivas, com 112 dos 165 assentos disputados.

Naquela madrugada, Márquez integrava o comitê de campanha de uma frente oposicionista no hotel que servia de sede. Enquanto líderes calculavam resultados e preservavam atas, ele refletia sobre as implicações daquele alvorecer para a oposição. A vitória, porém, logo se revelou apenas um lampejo.

Do Parlamento ao Conselho Nacional Electoral

Em 2021, Márquez tornou-se rector do Conselho Nacional Electoral (CNE). Assumiu o cargo rompendo com antigos aliados, ao lado de Roberto Picón, formando a base de uma oposição fragmentada que apontava para o que muitos chamaram de o “melhor CNE” dos últimos anos. Dois anos depois pediu demissão, sob promessa não cumprida de recondução pelo governo, que indicou outra diretiva menos favorável à oposição.

A sentença que o levou à prisão foi proferida em agosto de 2024, após questionar decisões do Poder Judiciário sobre suposto fraude eleitoral. Testemunhas relatam que, em privado, Márquez afirmou a Nicolás Maduro que não houve vitória na eleição.

Dos trunfos constitucionais ao Capitolio dos EUA

Ao longo de sua carreira, Márquez foi conhecido por articular alianças com diversas correntes oposicionistas, incluindo dissidências chavistas. A coalizão que o lançou à presidência em 2024 contou com a participação de grupos como Centrados e Redes, além de testemunhos em mais da metade das mesas eleitorais.

Após cerca de um ano de prisão no Centro Penitenciário El Helicoide, Márquez deixou a Venezuela e seguiu para os Estados Unidos em fevereiro de 2026. Em Washington, participou de uma semana de atividades que culminou na noite do discurso do Estado de União, quando Donald Trump o apresentou ao público em um dos palcos do Capitolio.

O que a presença de Márquez pode significar

Trump o acolheu como símbolo de liberdade, ao descer do púlpito para cumprimentar familiares. Autores e analistas divergem sobre o papel futuro de Márquez na política venezuelana: pode representar uma ponte entre setores moderados da oposição ou servir como um possível ator num eventual processo de transição democrática.

Segundo interlocutores, Márquez costuma buscar o consenso sem abrir mão de suas convicções, o que o diferencia de outros líderes oposicionistas. O ex-candidato tem planos de uma turnê internacional, incluindo visitas a diferentes países, reforçando a ideia de que sua atuação pode ampliar o cenário político venezuelano além das fronteiras.

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