- Paquistão lançou ataques aéreos contra cidades afegãs, em escalada do conflito fronteiriço; o ministro da defesa fala em “guerra aberta”.
- A tensão aumentou após um ataque afegão contra forças fronteiriças paquistanesas; Islamabad acusa que líderes do Tehreek-e-Taliban Paquistão e insurgentes baluchis têm base no Afeganistão.
- Kabul nega abrigar combatentes paquistaneses, afirma que o Afeganistão acolhe membros do Estado Islâmico, e Islamabad contesta essas acusações.
- Repetidos confrontos e fechamentos de fronteira interromperam o comércio ao longo de uma fronteira de mais de dois mil e seiscentos quilômetros marcada pela disputa da Linha Durand.
- Estimativas militares: Taliban paquistanês somam cerca de seiscentos mil homens ativo; o Talibã afegão tem aproximadamente cento e setenta e dois mil; as forças paquistanesas possuem mais de seis mil veículos blindados e mais de quatrocentos aviões de combate.
Pakistão lançou ataques aéreos contra várias cidades do Afeganistão, em uma escalada da crise na fronteira. O governo paquistanês qualificou a ofensiva como “guerra aberta”, após alegações de que grupos armados atuando em território paquistanês teriam bases no lado afgão. A ofensiva incluiu ataques a postos militares, quartéis e depósitos de armamentos ao longo da fronteira.
A tensão entre Islamabad e Kabul aumenta desde 2021, quando os talibãs retomaram o poder no Afeganistão. O Paquistão acusa Tehreek-e-Taliban Pakistão (TTP) e insurgentes baluchis de operarem com refúgio em território afgão, cenário negado pela parte afegã. Dados de monitoramento mostraram aumento de ataques desde 2022.
Em resposta aos ataques paquistaneses, o Afeganistão tem negado abertamente que o território afgão seja base para ações contra o Paquistão. O governo paquistanês sustenta que a ruptura do cessar-fogo decorre dos ataques vindos de Kabul, com repetidos choques e fechamentos de fronteira que prejudicam o comércio.
A semana passada, autoridades paquistanesas disseram ter evidências de ataques contra o aparelho de segurança paquistanês, atribuídos ao Afeganistão. Um atentado em Bajaur, que deixou 11 agentes mortos, foi reivindicado pelo TTP, segundo fontes de segurança.
O TTP, criado em 2007, atua no noroeste do Paquistão e já realizou ataques a mercados, mesquitas, aeroportos e bases militares. O grupo tem histórico de ataques contra civis e forças de segurança, e opera próximo à fronteira com o Afeganistão.
A fronteira entre os dois países tem mais de 2.600 quilômetros, cruzando regiões étnicas majoritariamente pastunes. A legitimidade da Linha Durand, traçada em 1893, é contestada por Kabul, que não a reconhece como fronteira internacional.
Analistas aguardam desdobramentos: o Paquistão pode intensificar operações militares; o Afeganistão pode responder com ações transfronteiriças. O desequilíbrio entre forças é evidente: o Paquistão mantém grande aparato militar com centenas de milhares de efetivos e aviões, incluindo capacidade nuclear. O Afeganistão dispõe de números menores e sem força aérea de combate consolidada.
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