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Vitória de uma ‘irmã coragem’ contra a máquina russa de doutrinação infantil

Jovem ucraniana resgata o irmão de um campo de reeducação na Rússia, destacando o alcance da deportação de menores e os esforços de repatriação

Ksenia Koldin fotografiada en el Ateneo de Madrid este miércoles.
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  • Ksenia Koldin, 21 anos, natural de Kharkiv, conseguiu recuperar o irmão Sergii após ele ter sido levado a um campo de reeducação na Rússia.
  • O governo ucraniano identifica mais de 19.500 crianças deportadas ou deslocadas à força desde fevereiro de 2022; a Universidade de Yale eleva a estimativa a até 35.000.
  • Sergii, aos 10 anos na época, foi influenciado pelos relatos de propaganda e acabou indo para a Rússia; a irmã descreve a manipulação como sutil e constante.
  • Ksenia usou a assistência da organização Save Ukraine para localizar Sergii junto aos serviços sociais russos e mostrar documentação para facilitar o retorno; os pais adotivos tentaram cortar contato.
  • Em maio de 2023, após uma reunião com o serviço social, Sergii concordou em passar um mês com a irmã para testar a convivência; hoje vivem em Kiev, ele com 14 anos e ela no terceiro ano de jornalismo.

Ksenia Koldin, natural de Járkov, conseguiu resgatar seu irmão Sergii, que havia sido encaminhado a um campo de reeducação na Rússia após a invasão. A jovem, com 21 anos, relatou que o irmão de 10 anos passou por manipulação gradual durante a ocupação e acabou separado da família de acolhidos. O resgate ocorreu após meses de mobilização e pressão para a reunificação familiar.

A história de Koldin se repete em parte entre milhares de menores ucranianos deslocados ou levados pela força para a Rússia desde fevereiro de 2022. O governo ucraniano aponta mais de 19 mil casos identificados, cifra que organizações internacionais elevam para cerca de 35 mil. Kiev acusa Moscou de sequestrar crianças como parte de uma campanha de neutralização do futuro do país.

A jovem descreve a infância sob o impacto das primeiras semanas de bombardeios em Vovchansk, com a família de acolhida sujeita a pressões para enviar Sergii a campos de verão na Rússia. A presença de propaganda foi constante, inclusive em centros de reeducação que, segundo pesquisas, incluem atividades de doutrinação ideológica e, às vezes, militarizadas.

Durante o período em que Sergii esteve na Rússia, Koldin iniciou um curso de cabeleireiro e manteve contato limitado com o irmão. O retorno de Sergii não foi imediato: a criança estava em um campo para menores ucranianos, uma realidade observada pela pesquisadora Yale, que identifica centenas de centros de reeducação. A adolescente enfrentou pressão para obter um passaporte russo, decisão que recusou, levando-a a intensificar os esforços de reunião.

A mudança ocorreu após Koldin obter documentos e acionar redes de apoio, incluindo a organização Save Ukraine, que facilitou o contato com serviços sociais russos. Em maio de 2023, após meses de tentativa, Sergii concordou em conhecer a irmã sozinha, optando por acompanhar a família de origem ao retornar a Kiev. O diálogo entre eles foi decisivo para a volta do menor.

Hoje, Sergii, agora com 14 anos, vive em Kiev sob tutela de uma família ucraniana e prossegue os estudos no ensino médio. Koldin, que cursa o terceiro ano de jornalismo, descreve o irmão como mais aberto e sorridente. Ambos permanecem na capital ucraniana, em processo de adaptação à vida após o episódio.

Contexto e desdobramentos

  • Sinalização internacional: a Corte Penal Internacional pediu a detenção de Vladimir Putin e de Maria Lvova-Belova por participação em políticas de remoção de menores.
  • Panorama global: centros de reeducação para menores ucranianos existem em várias regiões da Rússia e ocupadas, com relatos de doutrinação e restrições de contato com familiares.
  • Esforços de retorno: o programa Bring Kids Back registra cerca de 2 mil crianças retornadas, com atuação conjunta de autoridades, organizações não governamentais e assistência de terceiros países.

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