- Plainta principal, conhecida como KGM, de 20 anos, depôs em um tribunal de Los Angeles sobre o efeito das redes sociais, dizendo que começou a assistir YouTube aos seis anos e Instagram aos nove; aos 10 anos já estava depressiva e se mutilava.
- O caso é parte de um conjunto de ações envolvendo mais de 1.600 réus, incluindo famílias e distritos escolares; é a primeira de mais de vinte ações “bellwether” para indicar decisões e precedentes.
- Os advogados afirmam que recursos das plataformas, como rolagem infinita, autoplay de vídeos e botões de “curtida”, foram criados para manter usuários conectados e aumentar a dependência.
- Meta e YouTube negam irregularidades; as empresas sustentam que visam oferecer experiência mais segura e saudável, enquanto a defesa aponta que problemas de saúde mental da autora também vêm de um ambiente familiar difícil.
- KGM relata ansiedade e relacionamentos abalados por causa das redes sociais; a mãe já chegou a tirar o celular, mas ela afirma que sente pânico com a possibilidade de ficar sem acesso, ainda utiliza as plataformas; futura oitiva da mãe e de uma psiquiatra está prevista.
A mulher que protagoniza o processo histórico sobre o potencial vício das redes sociais afirmou, pela primeira vez em tribunal, que começou a usar YouTube aos seis anos e Instagram aos nove. Aos 10 anos, diz ter ficado depressiva e ter se envolvido em autoagressão. Ela, hoje com 20 anos, é a autora de ação contra YouTube e Meta, proprietária do Instagram e Facebook.
KGM, como é identificada no processo, lidera uma ação que acusa as empresas de criarem produtos viciantes, contribuindo para problemas de saúde mental entre jovens. O caso está no condado de Los Angeles, na Califórnia, e envolve mais de 1600 réus, incluindo famílias e distritos escolares.
Segundo depoimento na quinta-feira, a jovem relatou ansiedade e baixa autoestima decorrentes do uso das plataformas, além de distorções causadas por filtros de beleza. Ela afirmou que, quando a mãe retirava o celular, sentia pânico por perder algo importante. Mesmo assim, afirma continuar usando redes sociais.
A ação sustenta que recursos como rolagem infinita, autoplay de vídeos e botões de curtir mantêm usuários engajados e reforçam o vício. Os advogados também comparam o modelo dessas plataformas a estratégias usadas pelo setor do tabaco na década de 1990.
TikTok e Snap haviam sido incluídos no processo, mas chegaram a acordos antes do início do júri, cujos termos não foram tornados públicos. Meta e YouTube negam as acusações e afirmam ter o bem-estar dos jovens como prioridade. A defesa da Meta destaca que o ambiente familiar também influencia a saúde mental da menor.
KGM afirmou que hoje trabalha como personal shopper em uma loja da Walmart e ainda convive com a mãe, que, segundo ela, às vezes foi abusiva, embora também tenha demonstrado ser uma figura de afeto. A jovem diz ter passado por tratamento médico e psicológico no passado.
Ao longo do julgamento, outras testemunhas devem ser ouvidas, entre elas a mãe de KGM, Karen, e uma psiquiatra infantil, Kara Bagot. A promotora do caso, bem como advogados da defesa, não divulgaram detalhes adicionais. O processo segue com a análise de evidências e depoimentos de especialistas.
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