- Um drone militar chinês de grande envergadura realizou voos regulares sobre o Mar do Sul da China nos últimos meses, transmitindo sinais de transponder falsos para parecer com outras aeronaves, incluindo um avião de carga belarusso sancionado e um caça Typhoon da Royal Air Force.
- Desde agosto, foram registrados pelo menos vinte e três voos com o indicativo YILO4200, porém os transponders exibiam números de registro de outras aeronaves.
- Os trajetos costumam partir de Hainan em direção ao leste, passando perto das Ilhas Paracel e seguindo pela costa do Vietnã, com uso de táticas de guerra eletrônica e engano em tempo real.
- A operação é vista como uma evolução das táticas de zona cinzenta da China na região, possivelmente testando capacidades de decoy em caso de invasão de Taiwan.
- Especialistas apontam que, embora a manobra não deva iludir radares ou controladores de tráfego, pode gerar confusão, ocultar atividades sensíveis ou servir para propaganda e desinformação.
Ações de drones chineses no Mar do Sul da China chamaram a atenção de serviços de inteligência: um grande drone militar tem realizado voos regulares, simulando sinais de transponder de outros aviões, incluindo um cargueiro sancionado da Bielorrúsia e um caça britânico Typhoon. As operações ocorrem há meses.
Analistas e diplomatas afirmam que as voosas representam uma mudança estratégica na tática cinzenta chinesa e testam capacidades de isca em caso de possível invasão de Taiwan. Desde agosto, foram registradas ao menos 23 missões com o indicativo YILO4200.
Os trajetos costumam partir de Hainan, rumo às Filipinas perto das Ilhas Paracel e depois seguem pela costa do Vietnã. Os dados foram compilados a partir do Flightradar24 e analisados pela Reuters.
Máscara de transponders e efeitos potenciais
Os registros mostram que o drone mantém o indicativo de registro de outros aparelhos, como o cargueiro Ilyushin-62 da Bielorrússia operado pela Rada Airlines, além de outros aircraft. Em alguns voos, a aeronave aparece como posições diferentes na mesma janela de tempo.
A prática pode não enganar controladores de tráfego ou radares avançados, mas visa criar confusão e ocultar atividades sensíveis na vigilância. Observadores destacam que a manobra não parece acidental.
Navios e bases militares na região, incluindo trechos próximos a bases submarinas chinesas, aparecem no trajeto. As rotas acompanham o estreito de Bashi, ponto estratégico para a entrada da marinha chinesa no Pacífico, segundo a análise.
Reação, contexto e próximos passos
Especialistas dizem que as trajetórias indicam um ensaio de operação envolvendo Taiwan, com caminhos próximos a bases japonesas e norte-americanas no arquipélago de Ryukyu. A natureza das táticas sugere uso de guerra eletrônica e desinformação em tempo real.
O Ministério da Defesa da China não respondeu a pedidos de comentário sobre as missões e seus objetivos. Fontes diplomáticas ressaltam a importância de monitorar novas capacidades de dissimulação em operações futuras.
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