- O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, renunciou ao cargo após quase uma década à frente do Ministério Público, desde 2017.
- O Legislativo informou recebimento da renúncia e designou Larry Devoe como procurador-geral interino, enquanto se ativará o comitê de postulação para indicar um substituto definitivo.
- Alfredo Ruiz também apresentou renúncia à Defensoria do Povo, órgão responsável pela promoção dos direitos humanos.
- A renúncia de Saab acontece em meio a tensões políticas, após operação militar dos Estados Unidos em janeiro; Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interina.
- Até a tarde de hoje, a comissão parlamentar informou a libertação de 185 presos políticos sob anistia. Saab defendia a pacificação por meio dessa lei de anistia.
O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, renunciou ao cargo após quase uma década à frente do Ministério Público, iniciado em 2017. A decisão foi comunicada à Assembleia Nacional, que leu a carta de renúncia assinada por Saab durante a sessão.
Segundo a nota lida pela secretária da Assembleia, Saab encaminha oficialmente sua saída ao chefe do Legislativo, Jorge Rodríguez. A renúncia ocorre em meio a críticas de defensores de direitos humanos, que o apontam como responsável por uma linha dura de persecução contra opositores.
Renúncia e substituição
A Assembleia Nacional designou um comitê de postulação para indicar os novos ocupantes dos cargos de procurador-geral e defensor do povo. O advogado Larry Devoe foi eleito procurador-geral interino, enquanto Alfredo Ruiz também renunciou da Defensoria do Povo, aguardando a escolha de substituto.
Saab, que já havia atuado como defensor do povo antes de assumir o MP, esteve no cargo sob o governo de Nicolás Maduro. Seu afastamento acontece após tensões políticas e mudanças no governo interino, que assumiu com o poder após a prisão de Maduro em janeiro.
Contexto e desdobramentos
A renúncia coincide com anúncios de mudanças no gabinete da presidência interina, que promove reformas na legislação petrolífera e uma nova lei de anistia, já sancionada. A amnistia busca liberar centenas de presos, segundo a comissão parlamentar.
Saab defendia a pacificação por meio da anistia, defendida pela atual gestão. Em entrevista à AFP, o então procurador-geral afirmou que o país merece diálogo para reduzir tensões.
Sobre Saab e o legado
Saab chegou ao Ministério Público após destituição de Luisa Ortega Díaz pela Assembleia Constituinte em 2017. Ele também ocupou o cargo de defensor do povo desde 2014 e tem histórico ligado ao chavismo, com críticas de opositores sobre abusos de forças de segurança.
Nascido em Anzoátegui, Saab é visto por apoiadores como alinhado à Revolução Bolivariana, enquanto críticos o acusam de favorecer o regime. O novo quadro institucional busca manter a continuidade institucional durante o período de transição.
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