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Rússia abre investigação criminal contra o fundador do Telegram, Pavel Durov

Rússia abre inquérito contra Pavel Durov por facilitar atividades terroristas, enquanto Moscou pressiona Telegram para cumprir a lei e migrar usuários para o aplicativo MAX

Young people rallying in St Petersburg, Russia, with an icon-stylised painting of Pavel Durov during a 2018 attempt to ban Telegram.
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  • A Rússia abriu uma investigação criminal contra Pavel Durov, fundador do Telegram, sob suspeita de “auxiliar atividades terroristas”, com base em material do Serviço Federal de Segurança.
  • O governo afirma que o Telegram estaria comprometido por inteligência ocidental e ucraniana; autoridades dizem ter registrado inúmeras violações e relutância da administração da app em cooperar.
  • Moscou já anunciou reduzir o tráfego do Telegram para incentivar o uso de uma alternativa controlada pelo Estado, o MAX, como parte da construção de uma internet soberana.
  • Segundo a Rossiyskaya Gazeta, o Telegram teria sido usado em supostas conspirações ucranianas contra oficiais russos e em ações violentas desde o início do conflito, embora o app não tenha sido bloqueado por completo.
  • Durov mora no exterior e não se pronunciou; autoridades afirmam que o Telegram pode continuar operando se cumprir a lei russa, com possíveis exigências de cooperação e remoção de conteúdos críticos.

Russia abriu uma investigação criminal contra o fundador do Telegram, Pavel Durov, sob suspeita de facilitar atividades terroristas. A notícia foi divulgada pela Rossiyskaya Gazeta, citando materiais da Serviço Federal de Segurança (FSB). A acusação envolve suposta influência de inteligência ocidental e ucraniana sobre a plataforma.

Segundo o jornal, o caso envolve a acusação de que o aplicativo teria sido usado em operações contra alvos russos. A investigação ocorre em meio a uma escalada do governo contra o Telegram, que já vem sendo pressionado por reduzir tráfego para favorecer uma alternativa estatal, o MAX.

O Kremlin já anunciou, neste mês, que pretende desacelerar o tráfego do Telegram em resposta a violações, com o objetivo de guiar usuários para o MAX. A estratégia faz parte do compromisso de criar uma internet soberana, sob controle estatais.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que autoridades identificaram materiais no Telegram que podem representar ameaça, e que as medidas cabíveis seriam aplicadas. Durov, que atualmente vive no exterior, não se manifestou sobre a investigação.

A Rossiyskaya Gazeta informou, com base em autoridades, que o Telegram teria sido utilizado em planos ucranianos envolvendo oficiais russos, além de episódios de violência desde o início do conflito. O diário não detalhou as fontes de modo independente.

Apesar da pressão, Moscou não bloqueou o Telegram de forma total, devido ao amplo uso entre civis e órgãos do Estado e ao papel da aplicação nas comunicações de base. Autoridades têm sinalizado que o app pode continuar operando se cumprir a lei russa.

Durov, de 42 anos, manteve relação ambígua com o Kremlin ao longo dos anos. Ele deixou a Rússia em 2014 após vender a VK e fundou o Telegram em Dubai, onde reside e possui cidadania diplomática. A pauta internacional também acompanha críticas sobre moderação na plataforma.

Separadamente, a Rússia bloqueou apps como WhatsApp, Facebook e YouTube, o que gerou aumento de uso de VPN entre usuários. O fundador do Telegram já enfrentou investigações em outros países — foi detido na França, no ano passado, por relação com crimes ligados à plataforma.

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