- Autoridades panamenhas assumiram o controle dos portos Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico), no Canal do Panamá, após a decisão judicial que anulou a concessão à CK Hutchison Holdings.
- A Suprema Corte de Justiça do Panamá declarou o contrato inconstitucional em janeiro, encerrando quase três décadas de operação pela empresa.
- A transição de dezoito meses será comandada pela APM Terminals (Maersk) em Balboa e pela Terminal Investment Limited (TiL, MSC) em Cristóbal, com continuidade da operação durante o processo.
- A Hutchison contesta a medida, enquanto a Panama Ports Company afirma ser a intervenção necessária; EUA elogiam a medida, e a China ameaça pagar um preço alto pelo cancelamento.
- A passagem de contêineres pelos portos panamericanos soma quase dez milhões em 2025, com 38% desse volume nos terminais antes operados pela Hutchison; não haverá demissões, segundo o governo, e a decisão pode gerar negociações futuras com a empresa.
O Panamá assumiu o controle de dois portos do Canal do Panamá, após a decisão judicial que anulou a concessão à CK Hutchison Holdings, de Hong Kong. Os terminais de Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico) passam por tomada de posse, encerrando quase três décadas de operação pela empresa.
A medida foi anunciada após a Suprema Corte de Justiça do Panamá declarar inconstitucional o contrato em janeiro. A decisão ocorreu no contexto de disputas entre China e Estados Unidos envolvendo o controle de ativos estratégicos.
A Autoridade Portuária do Panamá afirmou que a operação continua assegurada. O decreto de ocupação estabelece um prazo de transição de 18 meses, com dois operadores globais assumindo gradualmente a gestão.
Quem está envolvido
A APM Terminals, subsidiária da dinamarquesa Maersk, ficará responsável por Balboa. Cristóbal ficará sob a gestão da Terminal Investment Limited, ligada à MSC. A mudança foi formalizada após publicação no diário oficial.
A Panama Ports Company, filial da Hutchison, chamou a intervenção de ilegal e afirmou que as medidas são confiscatórias, destacando riscos para os terminais. A empresa disse contestar a decisão na ICC.
Reações e desdobramentos
Estados Unidos e China reagiram. O embaixador dos EUA no Panamá elogiou a decisão pelos impactos positivos aos panamenhos. A China ameaçou cobrar um preço alto pelo cancelamento da concessão.
A Hutchison informou que buscará recursos legais na ICC para contestar a transferência sem seu consentimento. A empresa admitiu possível ação internacional e afirmou defender seus interesses.
Situação nos portos e próximos passos
Segundo a administração, não haverá demissões nos dois terminais, que empregam cerca de 1.200 pessoas. Veículos e contêineres continuaram operando de forma temporária durante a transição.
Caminhões com contêineres permaneceram estacionados nos portos, com o portão de entrada fechado. Foi divulgado que quase 10 milhões de contêineres passaram pelos portos panamenses em 2025, 38% pela Hutchison.
A transição prevê que, após a ocupação, haja uma licitação para a concessão futura. A decisão ocorre num momento de debate internacional sobre a participação de operadores globais no Canal.
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