- Um grupo de 11 mulheres e 23 crianças australianas deixou o campo de detenção al-Roj em 16 de fevereiro, com escolta militar curda, com a meta de chegar a Damasco e, em seguida, voltar para a Austrália.
- Aproximadamente 50 quilômetros do campo, as forças curdas receberam um recado do governo sírio de que o comboio seria atingido se avançasse para território controlado pelo governo, exigindo passagem por um posto sírio.
- Segundo a chefe da segurança do acampamento, o recado de Damasco afirmou que, ao alcançarem terras governamentais, haveria ataque por falta de coordenação prévia com o governo sírio.
- O governo australiano disse não apoiar o retorno das mulheres e crianças; uma mulher recebeu uma ordem de exclusão temporária (TEO) e as questões legais sobre a repatriação permanecem em aberto.
- As famílias são ligadas a membros do Estado Islâmico e estão detidas desde 2019; organizações de direitos humanos destacam condições precárias no campo e a pressão política sobre a repatriação.
Um agrupamento de 34 mulheres e crianças australianas, ligadas a familiares de suspeitos de IS, deixou o campo de detenção de al-Roj na segunda-feira, 16 de fevereiro, com escolta kurda. O objetivo era chegar a Damasco e, depois, retornar à Austrália.
A organização kurda informou que, a cerca de 50 km do acampamento, autoridades de Damasco ligaram alertando que o comboio seria alvo de ataques caso alcançasse territórios controlados pelo governo sírio. A travessia exigiria passar por um posto sob controle do governo.
Segundo Çavre Afrin, chefe de segurança do campo, Damasco afirmou que não houve coordenação prévia com o governo sírio e que o anúncio foi feito apenas quando as famílias já haviam partido. Os documentos australianos permitiriam uma passagem única, conforme ela disse.
Ambas as pastas sírias responsáveis pela interior e pela informação não responderam aos pedidos de comentário sobre a suposta ameaça. Uma autoridade síria disse que o tema decorreu da falta de coordenação anterior com Damasco.
O grupo é composto por 11 mulheres e 23 crianças, filhas, viúvas e esposas de supostos integrantes do IS. A maioria alega não entender a situação ou ter sido coagida a viajar. Desde 2019, estão detidas sob vigilância kurda.
Relatos de detenção e condições no al-Roj incluem relatos de doenças, superlotação e tentativas de fuga que geraram tensões entre as famílias e a administração do campo. Após a volta, crianças reencontraram tendas desmontadas e pertences perdidos, processos considerados usuais pela administração.
A repatriação tem gerado controvérsia na Austrália. O governo federal afirma não apoiar a volta dessas famílias e ressalta salvaguardas legais, como ordens de exclusão temporária para cidadãos em risco de segurança. Uma das mulheres recebeu uma autorização de saída temporária.
Ao longo dos últimos anos, a Austrália realizou pequenas ações de repatriação, com mistura de apoio e oposição pública. Críticas apontam obrigações legais de resgatar cidadãos, especialmente crianças, enquanto opositores sugerem medidas punitivas a quem tenha ligações com grupos extremistas.
Movimentos recentes mostram pressão de direitos humanos e de organizações de defesa de menores para que haja retorno seguro. Enquanto isso, famílias ainda no al-Roj têmem novas ameaças e avaliam possibilidades de continuidade com a ajuda de advogados e entidades humanitárias.
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