- A ocupação militar israelense em Cisjordânia intensificou a limitação diária de três milhões de palestinos, com controle civil israelense sobre áreas, chegadas de colonos e presença militar constante.
- Em Nablus, Saher relata que visitas de fiéis à Tumba de Yosef acionam detenções e bloqueios frequentes de soldados em sua casa, impactando a vida cotidiana da família.
- A decisão de outubro de 2023, após o ataque de Hamas, de suspender quase totalmente os vistos de trabalho de palestinos em Israel reduziu drasticamente a circulação entre Gaza, Cisjordânia e território israelense, afetando milhares de trabalhadores.
- O deslocamento interno ficou mais difícil, com centenas de bloqueios, vias alternativas para colonos e um sistema de tráfego dual que favorece veículos com placas de Israel, enquanto as atividades palestinas sofrem com demolições, retenções e violência de colonos.
- A violência e as pressões haviam levado comunidades a perdas econômicas, como quedas na renda de trabalhadores, demissões de fazendas e perdas de gado, em meio a ataques, incêndios e desconfiança entre moradores e autoridades.
A ocupação militar israelense na Cisjordânia continua a moldar a vida de cerca de três milhões de palestinos, com restrições, checagens de passagem e riscos diários. Em Nablus, Saher, autônomo palestino, afirma que visitas religiosas a um sítio próximo exigem horas de espera e confrontos frequentes com forças israelenses. A organização de excursões envolve uma entidade privada e um conselho de colonos, com forte proteção militar e episódios de violência.
A medida tomada pela liderança israelense em 2023, após o ataque de Hamas, restringiu drasticamente os permisos de trabalho de palestinos em Israel. Um contingente significativo perdeu a capacidade de sustentar famílias inteiras, deixando trabalhadores da Cisjordânia dependentes de opções limitadas de renda e deslocamento. Milhares que antes contribuíam para a economia local passaram a enfrentar quedas salariais e menor mobilidade.
O cenário é agravado por novos corredores viários que privilegiam os colonos, com sinalização e infraestruturas dedicadas. Parlamentares e autoridades destacam a necessidade de manter serviços básicos, mas a população palestina reconhece a prática como restritiva e excludente. Além disso, a administração de Bezalel Smotrich intensifica controles civis em áreas sob ocupação, alimentando um ciclo de vulnerabilidade diária para famílias que dependem de atividades como agricultura, pecuária e comércio local.
Impacto no cotidiano
A vida em zonas de trânsito entre cidades fica condicionada por barreiras, postos e rotas alternativas. Carreiras de transporte, como táxis compartilhados, reduzem drasticamente o volume de viagens, afetando a renda de trabalhadores. Estudos apontam que a faixa de 60% a 70% de deslocamentos depende de vias secundárias sujeitas a variações de disponibilidade.
Aos olhos da comunidade, a presença de colonos e ações de demolição ampliam a incerteza. Casas cercadas por decisões administrativas podem ter portas e estruturas removidas sob justificativas de zonas de uso. Em empresas familiares, o custo da adaptação logística aumenta, elevando o preço de insumos e reduzindo a disponibilidade de mão de obra.
Economia local e segurança
Ganhadores de cabras e produtores de fruta seca relatam dificuldade de acesso a pastagens, maior gasto com alimentação animal e queda de renda. A instabilidade econômica, associada à retenção de fundos pela autoridade de Israel, amplia os desafios do sustento familiar. Em Rafat e Beit Furik, a produção rural convive com danos a infraestrutura e insegurança jurídica sobre propriedades privadas.
O relatório de agências internacionais aponta que a região vive um regime de ocupação que, ao longo de décadas, consolidou controle de campo militar sobre áreas críticas, enquanto a população enfrenta interrupções frequentes na vida cotidiana. A situação continua a depender de evoluções políticas, decisões militares e dinâmicas de segurança regional.
Contexto adicional
O panorama atual dialoga com a evolução das políticas de 2023, marcada pela redução dos permisos de trabalho para palestinos. A conjuntura é alimentada por tensões entre iniciativas de colonização, ritmos de vida locais e a contínua disputa por acessos a áreas consideradas sensíveis para religiões e identidades nacionais. Fontes oficiais mencionam a necessidade de manter a ordem, enquanto comunidades palestinas descrevem a vida sob restrições diárias.
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