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Ucranianos constroem famílias sob a sombra da guerra sem medo

A taxa de natalidade cai desde a invasão, mas mães em Kiev persistem em formar famílias, enfrentando violência, apagões e incertezas

Ivanna Didur smiles as she looks out of a window while holding Anastasia
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  • O hospital de Leleka, em Pushcha-Vodytsia, voltou a nascimento de bebês, apesar do conflito que persiste na região.
  • A taxa de natalidade na Ucrânia caiu: em 2020 houve 2.300 partos; em 2022 foram 868; no ano passado, 952.
  • O país enfrenta uma grave crise demográfica: população estimada entre 30 e 32 milhões, com 5,9 milhões de refugiados e 3,7 milhões deslocados internamente.
  • O parlamento aprovou medidas para incentivar mães: o pagamento único subiu para 50.000 hryvnias e surgiu um subsídio mensal de 7.000 hryvnias para gestantes sem emprego.
  • Pessoas que permaneceram no país relatam equilíbrio entre medo e esperança, com mães afirmando que desejam construir a vida mesmo em meio à guerra e que mudanças demográficas influenciarão o futuro da Ucrânia.

A maternidade Leleka, localizada no resort de Pushcha-Vodytsia, perto de Kyiv, continua a operar normalmente após anos de conflito. Enquanto a guerra persiste, novas mães dão à luz e cuidam de seus filhos sob a constante tensão de ataques, drones e interrupções de energia. A situação demográfica da Ucrânia mostra sinais preocupantes: quedas acentuadas de nascimento desde a invasão, aliadas a deslocamentos forçados e perdas humanas.

Valeriia Ivashchenko, uma das mães atendidas no hospital, descreve o período como desafiador, com a família buscando manter uma vida estável em meio a sirenes e ameaças. Ela relata que a vida cotidiana ganhou contornos de planejamento de curto prazo, mas mantém a esperança de construir um futuro para a filha Veronica, com quem visita o hospital. O casal Ivashchenko tenta oferecer normalidade aos filhos, mesmo diante de blackout e insegurança.

Dados internacionais indicam que 5,9 milhões de ucranianos fugiram do país e 3,7 milhões foram deslocados internamente. A taxa de natalidade permanece entre as mais baixas do mundo, com uma de cada três mortes resultando em nascimento em alguns períodos. O hospital de Leleka registra quedas: 2300 partos em 2020, 868 em 2022 e 952 em 2023.

Dr. Valerii Zukin, diretor-executivo da Leleka, descreve a queda de nascimentos como uma notícia triste para a instituição, que busca manter um espaço com menos dor e mais esperança. Em Kyiv, algumas mães que moram no exterior retornam para ter os filhos, atraídas por serviços básicos de obstetrícia gratuitos no país.

Em termos de política pública, a Verkhovna Rada anunciou medidas para estimular a natalidade: o pagamento único para mães foi elevado a 50 mil hryvnias e foi criada uma subvenção mensal de 7 mil hryvnias para gestantes sem emprego. Especialistas veem a situação demográfica como um retrato complexo, com variações regionais e fatores econômicos.

Entre as famílias que permaneceram, Ivashchenko destaca que a vida diária envolve proteção domiciliar e ajustes para manter os filhos ativos e envolvidos, como natação, futebol e atividades de lazer. Ela aponta que a percepção de que o país pode sair vitorioso da guerra permanece como motivação central para continuar a criar as crianças em território ucraniano.

A demografia do país, antes estimada em 41 milhões, hoje é calculada entre 30 e 32 milhões, excluindo territórios sob ocupação. Especialistas reconhecem que a queda da taxa de natalidade é um fenômeno complexo, com alguns nascidos voltando de países estrangeiros quando a situação se acalma. A percepção de que o país pode enfrentar desafios estruturais permanece, mesmo com sinais de resiliência entre comunidades que escolhem ficar.

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