- Os EUA preparam o maior despliegue militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque, com dois porta-aviões no Golfo e no Mediterrâneo, dezenas de aeronaves de combate e reforços de defesa antiaérea.
- O objetivo é sustentar possível ataque contra Irã, enquanto Donald Trump impõe um prazo de 10 a 15 dias para que Teerã chegue a um acordo sobre o programa nuclear.
- O grupo de ataque do porta-aviões Abraham Lincoln já opera no Golfo de Omã; o Gerald Ford deve se juntar em breve, com F-35, Hornets, E-2D e helicópteros a bordo.
- Washington exige que Irã retire apoio a grupos na região, reduza o alcance de seus mísseis e encerre o enriquecimento de urânio como condições para evitar um ataque.
- Teerã insiste em manter seu programa de mísseis balísticos e não está disposto a aceitar a remoção total desse programa; a diplomacia permanece difícil e as partes demonstram enorme desconfiança mútua.
A ofensiva militar dos EUA ganha contornos de maior escala desde a invasão do Iraque, anunciada enquanto o país avança na pressão para fechar um acordo com o Irã sobre o programa nuclear. Navios-patrulha no Golfo e na região mediterrânea, dezenas de aviões de combate e sistemas de defesa já compõem o que o Departamento de Defesa descreve como o maior desembarque desde 2003.
Segundo reportagens, o porta-aviões Abraham Lincoln está no Golfo de Omã, com escolta de destróieres e aviões de caça a bordo, apoiado por planos para a entrada do Gerald Ford. O conjunto inclui aeronaves de alerta, reconhecimento e helicópteros, além de bombardeiros e aeronaves de reabastecimento em bases próximas.
A ampliação das forças ocorre em meio a uma contagem regressiva de 10 a 15 dias, conforme Trump afirmou ter dado a Teerã para chegar a um acordo que antecipe um ataque. O objetivo apresentado é pressionar o Irã a ceder em pontos considerados centrais pelos EUA, especialmente no âmbito nuclear.
Iran anunciou que apresentará uma proposta aos negociadores norte-americanos em poucos dias, segundo Abbas Araghchi. O chanceler iraniano sustenta que Teerã busca avançar as negociações, mas enfrenta divergências profundas e a desconfiança mútua com Washington.
Profissionais e analistas ressaltam que o reforço militar pode indicar um plano mais estruturado que o visto em ações anteriores. A mobilização atual envolve não apenas o Golfo, mas também o Mediterrâneo, com reforços que incluem caças, drones, aeronaves de vigilância e combustível para sustentar operações prolongadas.
A presença de dois grandes porta-aviões no teatro de operações levanta dúvidas sobre o possível leque de ações. Especialistas destacam que a capacidade de 12 a 24 horas de operações contínuas permite maior intensidade, se uma ofensiva for escolhida. Países aliados na região também podem sofrer retaliações.
Entre os desafios diplomáticos, Washington exige que Teerã retire apoio a grupos na região e limite o alcance de seus mísseis, além de renunciar ao enriquecimento de urânio. O Irã, por sua vez, não aceita excluir seu programa de mísseis nem abrir mão de enriquecer urânio no futuro.
Analistas dizem que, mesmo com pressão, é improvável que haja acordo completo sobre todos os temas. Um consenso pode ocorrer em torno de um acordo nuclear que substitua o JCPOA, desde que seja mais rigoroso. Questões sobre mísseis, alinhamento regional e garantias de aplicação permanecem abertas.
Autoridades e especialistas ressaltam que, se houver violência, há riscos de escalada regional. Um conflito prolongado poderia envolver ataques a alvos navais, marítimos ou de infraestrutura, com impactos indiretos sobre Israel e estados árabes, conforme avaliações de segurança e think tanks.
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