- Lula defende a união de países em desenvolvimento, especialmente do Sul Global, para mudar a lógica econômica do mundo.
- O presidente elogia o Brics como ferramenta e diz que não haverá moeda única; defende usar moedas próprias nos negócios para reduzir dependências.
- Reforça o papel da ONU e o multilateralismo, cobrando representatividade maior e mecanismos para manter a paz global.
- Aponta cooperação com os EUA no combate ao crime organizado transnacional, inclusive com possível troca de criminosos brasileiros.
- Hoje ele segue para a Coreia do Sul, após reunião na Índia, e será assinado em Seul o Plano de Ação Trienal 2026-2029 para ampliar a parceria estratégica.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a união de países em desenvolvimento, especialmente do Sul Global, pode alterar a lógica econômica mundial. A declaração ocorreu durante coletiva na madrugada de domingo, em lo de encerramento da visita à Índia e antes de seguir para a Coreia do Sul.
Lula destacou dificuldades históricas de países menos desenvolvidos em negociações com potências, defendendo alianças entre nações pequenas para negociar com grandes players. Disse que a cooperação entre Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global é estratégica para evitar perdas em negociações diretas.
O presidente avaliou o Brics como fator de mudança, mencionando a criação de um banco regional e a possibilidade de o grupo se aproximar do G20, com projeção de um eventual G30. Ele negou a ideia de uma moeda comum entre Brics, defendendo o uso de moedas nacionais no comércio.
Sobre a ONU, Lula reiterou a defesa do multilateralismo e pediu maior representatividade da organização para manter paz e harmonia no mundo. Apontou a necessidade de resposta conjunta a crises como Venezuela, Gaza e Ucrânia, evitando intervenções unilaterais.
Na relação com os EUA, Lula afirmou que cooperações internacionais podem ocorrer se houver disposição de combater o crime organizado transnacional. Indicou que a Polícia Federal brasileira pode atuar em parceria com outros países, incluindo o envio de criminosos para o Brasil.
O presidente enfatizou sempre o respeito à região sul-americana e caribenha, destacando que a área é pacífica, sem armamento nuclear e com foco em crescimento econômico e geração de empregos. Pretende discutir o papel dos EUA na região em encontro com Donald Trump.
Sobre a taxação americana e decisões judiciais, Lula disse que não compete ao governo brasileiro julgar decisões de cortes de outros países, mantendo o tom de neutralidade institucional.
Encontros com a Índia e avanços econômicos
Lula mencionou encontros com o primeiro-ministro Narendra Modi, com foco na relação comercial e na cooperação entre Brasil e Índia. Segundo o presidente, as conversas evitaram temas geopolíticos e destacaram a união de interesses para desenvolver economias.
Empresários indianos presentes ao encontro teriam demonstrado otimismo quanto a investimentos no Brasil, conforme relato de Lula. O presidente reiterou abertura para exploração de minerais críticos e terras raras, desde que haja incremento de valor agregado no território brasileiro.
A agenda asiática do presidente teve início em Nova Déli, em visita que coincidiu com a agenda de Modi no Brasil em 2025. A viagem continua na Coreia do Sul, com participação anunciada de Seul na adoção de um Plano de Ação Trienal 2026-2029, visando elevar o relacionamento a nova parceria estratégica.
Encerramento e próximos passos
A comitiva brasileira desembarcará em Seul para a cerimônia de assinatura do acordo, marcando o terceiro foco bilateral com a Coreia do Sul, a primeira visita de Estado do governo atual. A cooperação busca ampliar comércio, tecnologia e investimentos entre as duas nações.
Entre na conversa da comunidade