- Karen Newton, cidadã britânica de 65 anos, estava viajando com visto de turista válido quando foi detida pelo ICE nos EUA, permanecendo reclusa por seis semanas.
- O casal Newton foi encaminhado para o Northwest ICE Processing Center, em Tacoma, após serem separados; Karen dormiu no piso de uma cela e enfrentou condições de detenção durante todo o período.
- Ela afirma ter sido informada de que agentes do ICE recebem bônus por detenção de pessoas, e que a opção de “self-removal” (retorno voluntário) foi apresentada como forma de encurtar o processo.
- Mesmo com a previsão de liberação, os Newton enfrentaram semanas sem informações claras, dificuldade para contatar o consulado britânico e interrupções na visita ao marido.
- O caso destaca críticas a políticas de imigração sob o governo de Donald Trump e o impacto no setor de turismo dos EUA, com quedas nas visitas internacionais em 2025.
Karen Newton, uma aposentada britânica de 65 anos, ficou detida nos EUA por seis semanas mesmo com visto válido. A sequência começou quando ela e o marido, Bill, 66, tentaram deixar o país pela fronteira com o Canadá no fim de setembro de 2025. O casal foi encaminhado a um centro de imigração nos EUA, após ter o carro retido e o visto de Bill expirado.
Karen acompanhava o marido durante uma viagem de dois meses por estados como Califórnia, Nevada, Wyoming, Montana e, por fim, Canadá. Ao tentar cruzar a fronteira, percebeu que havia problemas com a documentação de Bill; ela, porém, mantinha visa válida para turismo. O episódio desencadeou uma série de medidas que levaram à detenção de Karen por 42 dias.
Detenção e condições no centro. Karen foi algemada e transportada em um veículo policial até o Northwest ICE Processing Center, em Tacoma, Washington. Lá, permaneceu em condições de privação de liberdade, dormindo em beliches e sem cama, por várias semanas. A mulher descreve o local como um ambiente prisional, com portas trancadas e vigilância constante.
Atribuição de culpa por associação e o custo da detenção. Segundo relatos de Karen, agentes de ICE disseram que havia incentivos financeiros para deter pessoas. Ao longo de semanas, ela ouviu informações de guardas de que benefícios eram pagos por cada detento capturado. Um porta-voz do ICE negou que bônus dependam de números de detenções. A família Newton recebeu a opção de voluntariamente retornar ao Reino Unido, sob o programa de self-removal, com custos de passagem cobertos pelo governo americano.
Condições pessoais e impacto. Karen foi separada do marido por parte do tempo e ficou sem direito a assessoria jurídica durante a detenção inicial, recebendo informações inconsistentes sobre o andamento do caso. A situação gerou impacto financeiro e emocional, incluindo danos à casa e aos pertences, com itens confiscados e não devolvidos. Em casa, ela relatou sentir alívio apenas ao retornar ao próprio quarto.
Contexto institucional e repercussão. O caso de Karen faz parte de uma série de detenções de turistas durante 2025, com relatos de estrangeiros detidos ao tentar sair dos EUA. Dados de turismo indicaram queda relevante de visitantes internacionais para os EUA em 2025, afetando a indústria do país. Especialistas apontam custos elevados de detenção, assim como impactos sobre familiares e viagens futuras.
Desfecho e retorno. Em 6 de novembro, Karen recebeu autorização de saída do centro de detenção, junto com o marido, e foi levada ao aeroporto para retorno ao Reino Unido. Ao chegar em casa, encontrou consequências como bateria descarregada no carro, plantas mortas e acúmulo de correspondência. Ela já acionou seguro de viagem para reembolsar bens confiscados na fronteira.
Impacto temporal e futuro. As famílias afetadas relatam consequências duradouras, incluindo danos financeiros e psicológicos. A experiência de Karen levanta dúvidas sobre a condução de casos envolvendo turistas com visto válido, bem como sobre a aplicação de medidas de detenção em instituições privadas de processamento.
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