- Onze mulheres e 23 crianças australianas permanecem no campo de Roj, no nordeste da Síria, após tentativa fracassada de chegar a Damasco.
- Uma mulher recebeu ordem de exclusão temporária de até dois anos; as agências de inteligência avaliam o “estado de espírito” e a ideologia de cada pessoa, considerando-as não coerentes como grupo.
- O governo afirma ter pouca margem de manobra para impedir o retorno ao país, já que, além da ordem de exclusão temporária, não há poder legislativo para barrar a entrada de cidadãos australianos.
- A ala australiana do Hizb ut-Tahrir pode ser banida em breve, com o ministro do interior em processo de inclusão da organização na lista de grupos de ódio.
- A oposição critica a resposta do governo e houve controvérsia política após comentários de Pauline Hanson; Burke alerta para o risco de violência e desunião no país.
O ministro da Imigração da Austrália, Tony Burke, afirmou que há poucas opções para impedir o retorno de 34 australianos — mulheres e crianças — retidos no campo de detenção de Roj, no nordeste da Síria, próximo às fronteiras com a Turquia e o Iraque. Segundo ele, as autoridades conhecem a mentalidade de cada pessoa, mas as possibilidades legais de bloqueio são limitadas.
Ele explicou que apenas uma mulher recebeu uma ordem de exclusão temporária, válida por até dois anos, por razões de segurança. Burke também disse que o grupo, como conjunto, não apresenta uma unidade de pensamento ou ideologia coerente, o que dificulta ações adicionais sob o direito vigente.
Burke, que representa uma região de Sydney com elevada população muçulmana, reiterou que os serviços de inteligência realizam avaliações de risco para cada caso. Ele afirmou que não existe poder legal para impedir a entrada de um cidadão australiano, além da ordem temporária já mencionada.
Contexto legal e desdobramentos
Segundo as leis de passaporte, cidadãos australianos podem ter restrições limitadas em sua obtenção de passaporte. O governo informou que trabalha para não facilitar o retorno das pessoas ao território nacional, dentro dos marcos legais existentes.
A oposição criticou a resposta do governo, com o ex-ministro da Defesa sugerindo que as mulheres deveriam enfrentar acusações por viajar para se unir a um califado islâmico, enquanto permanecem no exterior para evitar danos.
A chefe adjunta da oposição respondeu, em reação, que Burke tem o poder e a autoridade para ampliar as medidas, mas não o faz por suposta falta de coragem política. Burke rebateu, questionando a aptidão da(o) adversária para o cargo de oposição.
Condições no campo de Roj
Relatos indicam que as condições no campo de Roj continuam a deteriorar, com tendas destruídas e bens tomados, conforme cobertura de veículos de imprensa. A guarda curda administra o local, com planos de transferência à governo sírio, e a possibilidade de fechamento do campo vem sendo discutida.
Perguntado sobre ações caso o campo seja fechado, Burke disse que as pessoas ficariam em posição insustentável, atribuindo a responsabilidade às decisões tomadas pelos pais do grupo. A conversa também abordou críticas de Pauline Hanson a muçulmanos, destacando que tais comentários podem aumentar a violência e a desorganização no país.
Burke destacou que ataques verbais contra comunidades não ajudam a segurança nacional e ressaltou a importância de manter as agências competentes com acesso a informações confiáveis para mitigar riscos.
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