- A divulgação de milhões de arquivos do caso Epstein reacende dúvidas sobre por que autoridades não agiram, mesmo após uma acusadora ter reportado o abuso em 1996.
- Um relatório de 2011 traz relatos detalhados de abuso de Epstein e de Ghislaine Maxwell, com participação de outros homens, segundo os documentos.
- Os relatos indicam que informações claras chegaram aos órgãos federais anos antes da reunião de 2016 entre advogados de Virginia Giuffre e promotores, já em outra época.
- Entre os nomes mencionados nos papéis, está Andrew Mountbatten-Windsor, que apareceu no radar do FBI cerca de quinze anos atrás.
- As informações mostram que, caso tivessem sido tratadas de forma eficaz, outras vítimas poderiam ter evitado abusos, conforme apontam advogados das vítimas.
O Departamento de Justiça tornou públicas milhões de arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, levantando perguntas sobre os crimes atribuídos ao magnata e sobre os motivos que impediram ações eficazes no passado. O material mostra como autoridades tiveram conhecimento das denúncias em anos seguintes à suposta prática de abuso.
Documentos recém-divulgados revelam que informações detalhadas foram repassadas às autoridades federais anos antes de encontros com advogados de vítimas em 2016. Entre as informações, há menções a Andrew Mountbatten-Windsor e a outros possíveis envolvidos, que passaram a constar do radar do FBI há mais de uma década.
Uma mulher cuja identidade permanece redigida no material deu entrevista aos agentes do FBI em 2011, com a presença de um promotor federal por telefone. O relato coincide com acusações públicas de que Epstein e Ghislaine Maxwell teriam participado de abusos contra menores na década de 1990.
O embaixada dos EUA na Austrália informou às autoridades locais que o FBI Miami auxilia o Palm Beach Police Department em uma investigação em andamento sobre Epstein. A vítima que disse ter sido acompanhada por várias outras pessoas procurou autoridades federais no sul da Flórida três anos após o contato inicial em Sydney.
Segundo os documentos, a mulher relatou abusos cometidos por Epstein e Maxwell, além de outros homens, quando era adolescente. Ela descreveu ter sido levada a residências associadas a Epstein e a outros locais, com a alegação de traficar menores para atos sexuais.
As investigações federais também tratam de ações intimidatórias contra a entrevistada. Ela relatou receber telefonemas supostamente de agentes do FBI, seguidos por chamadas de um advogado e de Epstein, com ameaças para que não contasse detalhes às autoridades.
A divulgação ocorre em meio a ações de vítimas e defensores que apontam diversas oportunidades perdidas pela polícia para responsabilizar Epstein e Maxwell antes de 2019. As informações citam ainda outras vítimas envolvidas em atividades de tráfico e abuso.
Entre os casos citados, está a denúncia de Maria Farmer, que registrou com o FBI alegações sobre imagens de familiares. O material descreve ainda pedidos de fotos de menores em piscinas e ameaças caso as informações fossem reveladas.
Epstein cumpriu breve pena no estado por prostituição envolvendo menor de idade, sob acordo favorável que permitiu liberação para trabalhar. Segundo os autos, abusos teriam continuado após esse acordo, até sua prisão federal em 2019.
A viabilidade de responsabilização em eventos anteriores é tema de questionamento de advogados que representam vítimas. Eles defendem que informações recebidas deveriam ter levado a ações mais imediatas por parte das autoridades.
A Virgin Islands moveu ações contra a massa falida de Epstein, em 2020, alegando que logs de viagem mostravam que ele levava meninas para a ilha particular, onde eram submetidas a servidão sexual e exploração comercial. A documentação sustenta que esse padrão se manteve até 2018.
Autoridades federais não comentaram sobre o conteúdo específico dos relatos da entrevista de 2011. O Departamento de Justiça também não respondeu a repostas sobre o que ocorreu após aquele encontro.
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