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Supremo dos EUA derruba grande parte das tarifas de Trump

Supremo dos EUA derruba a maior parte dos aranceles recíprocos de Trump, gerando devoluções bilionárias e impactando a agenda econômica

El presidente Donald Trump, en la Casa Blanca.
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  • O Supremo Tribunal dos EUA derrubou a maior parte dos aranceles “recíprocos” criados pelo governo de Donald Trump, impondo devoluções de valores cobrados de forma irregular.
  • A decisão vale apenas para esses aranceles recíprocos e não para outros impostos sobre aço, carros ou tarifas específicas; o tribunal entendeu uso indevido da Lei de poderes de emergência (IEEPA).
  • O governo dos EUA pode ter que pagar dezenas de bilhões de dólares em devoluções a empresas afetadas, conforme a decisão.
  • As audiências no mês passado mostraram ceticismo dos juízes sobre a legalidade dos aranceles sob a IEEPA, parâmetro central do caso.
  • A Casa Branca não descartou recorrer a outras vias legais para manter parte dos aranceles, caso a decisão vá à frente em recursos.

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos, com maioria conservadora, derrubou gran parte dos aranceles “recíprocos” impostos por Donald Trump a mais de 100 países. A decisão implica devoluções em milhares de milhões de dólares aos importadores que pagaram taxas consideradas irregulares. O veredito não atinge todos os tributos da administração, apenas os ligados aos aranceles recíprocos baseados na Lei de Poderes de Emergência de 1977 (IEEPA).

A corte concluiu que o presidente excedeu poderes ao usar de forma generalizada a IEEPA para impor tarifas, sinalizando abuso da prerrogativa presidencial. O caso chegou ao plenário após decisões de tribunais de instância inferior que contestaram a autorização para aplicar tais taxas indiscriminadamente. Dois processos movidos por empresas de Illinois e de Nova York deram forma à ação que chegou à Suprema Corte.

Os casos envolvem principalmente pequenas e médias empresas associadas à plataforma We Pay Tariffs, além de representantes de parlamentares democratas. As ações contaram com a participação de advogados que argumentaram que a IEEPA não prevê poderes ilimitados para tarifas, nem autorização para política arancelária. A audiência anterior já indicou ceticismo dos juízes sobre a legitimidade da medida.

Contexto legal

A decisão ocorre três meses após a audiência em que o tribunal mostrou dúvidas sobre a legalidade das tarifas sob IEEPA. A Casa Branca havia sinalizado, antes do veredito, que poderia recorrer a outras vias para manter os aranceles. O governo discutiu pelo menos cinco caminhos legais alternativos para sustentar a política comercial.

Desde 2 de abril, data marcada pelo chamado Dia de la Liberación, Trump ampliou tarifas a mais de uma centena de países. As taxas variam de 15% para a maioria dos blocos a até 50% para itens provenientes de Índia e Brasil, com tratados específicos para setores como aço, automóveis e outros produtos. Estima-se que setores como vestuário, elétrica e automotivo sejam mais impactados.

Segundo analistas, a anulação de parte dos aranceles pode reduzir sobrecargas para produtos manufaturados no atacado e varejo, refletindo mudanças no custo de importação. Em curto prazo, o governo federal planeja explorar outras vias legais para manter parte das tarifas já implementadas.

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