- Hamas realiza eleições de liderança em várias frentes, entre Gaza, Cisjordânia, prisões israelenses e diaspora, para escolher o conselho geral de 50 membros que definirá o futuro da organização.
- O processo pode durar semanas, com o novo líder decidindo até que ponto cooperar com o plano de paz dos Estados Unidos e sobre desarmamento.
- Os dois favoritos são Khalil al-Hayya, mais combativo, e Khaled Meshaal, visto como mais flexível, cada um representando caminhos diferentes para o futuro do movimento.
- Al-Hayya comanda a ala de Gaza e é visto como herdeiro de Yihya Sinwar; Meshaal atua no exterior e tem ligações mais fortes com o Qatar e a Turquia.
- A votação ocorre em meio a um cenário de alto risco, após assassinatos de lideranças e ataques aéreos anteriores, com dúvidas sobre como o Hamas manterá coesão interna e relação com Israel.
Hamas iniciou eleições de liderança entre seus membros em um momento decisivo para o grupo militante. A votação ocorre em Gaza, com delegados em outros territórios também participando, para formar o conselho Shura de 50 membros que escolherá o líder interino e o politburo. O processo pode se estender por semanas.
Os principais candidatos são Khalil al-Hayya, ligado à ala de Gaza, e Khaled Meshaal, veterano da organização que atua no exterior. Al-Hayya é visto como linha dura e próximo de Irã, enquanto Meshaal é visto como mais flexível, com vínculos mais fortes a Catar e à Turquia. A escolha pode definir o alinhamento externo de Hamas.
A apuração da votação é realizada sob forte sigilo, em razão do risco de ataques contra líderes identificados. A direção de Hamas confronta decisões sobre cooperação com o plano de paz dos EUA, desarmamento e negociação com Israel para retirada de território. Também está em jogo a participação do movimento em um futuro governo em Gaza.
Especialistas apontam que a liderança pode sinalizar a direção da relação com Estados árabes, especialmente Catar e Turquia, e a possível redução da dependência da cozinha de apoio iraniano. A permanência de Hamas no governo ou a fusão com estruturas políticas permanece em debate interno.
Desde o início do conflito, grande parte da direção foi morta em ações de Israel, que mira líderes e desmantela a infraestrutura de Gaza. Atentados anteriores, incluem ataques a áreas civis e operações em Doha, Beirut e Teerã, com impactos na liderança e na coesão interna.
Segundo a Reuters, Hamas tem reestruturado sua organização nas últimas semanas, recolhendo tributos sobre mercadorias permitidas sob o cessar-fogo e substituindo autoridades em Gaza. As reformas incluem mudanças em ministérios e na governança distrital.
O desfecho da eleição interna pode influenciar a postura do grupo diante do plano de paz, da dissuasão de armas e da participação em um novo governo de Gaza. A comunidade internacional acompanha com cautela os próximos passos da organização.
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