- Evo Morales reapareceu nesta quinta, em Chimoré, região tropical da Bolívia, após quase sete semanas ausente sem explicação, discursando para apoiar candidatos municipais e regionais.
- O ex-presidente, que governou de 2006 a 2019, afirmou que não deixará o país e criticou boatos de fuga ligados a pressões políticas.
- Morales disse estar com chikungunya e afirmou ter enfrentado complicações inesperadas, aparentando estar mais fraco em relação a appearances anteriores.
- A região de Chapare, reduto de apoio a Morales, abriga um mandado de prisão relacionado a acusações de tráfico de pessoas, o que mantém o líder sob vigilância judicial.
- O presidente conservador Rodrigo Paz Pereira sinalizou retomada de laços com os Estados Unidos; Paz deve se reunir com Donald Trump em Miami, em 7 de março, para discutir alinhamentos regionais.
Bolívia
Evo Morales reaparece após quase dois meses sem explicação, em seu reduto político noTrópico, para apoiar candidatos nas próximas eleições regionais. O ex-presidente, que governou de 2006 a 2019, apareceu em Chimoré, perto do centro do país, após semanas de rumores sobre uma possível fuga.
Morales, de 66 anos, voltou a falar publicamente para dizer que ficará no país, apesar de uma ordem de prisão no âmbito de investigações por tráfico de pessoas. Ele atribui a ausência a problemas de saúde e afirma que não deixará a Bolívia.
A ausência coincidiu com tensões políticas após a reaproximação entre o governo conservador de Rodrigo Paz e Washington, incluindo a retomada de contatos com a DEA. A mudança gerou apreensão entre simpatizantes de Morales, que liderou o MAS.
Ao chegar ao estádio Hugo Chávez, em Chimoré, Morales foi visto a bordo de um trator, segundo a cobertura da Rádio Kawsachun Coca, ligada ao movimento cocalero. Ele sorriu para apoiadores, mantendo o tom combativo de campanhas anteriores.
O ex-presidente também comentou, de forma pública, a situação de saúde causada pela chikungunya, afirmando que a doença pode evoluir de forma inesperada e pediu cuidado aos bolivianos. Não houve detalhamento sobre o estado dele.
No âmbito internacional, o governo Paz afirmou planejar encontro com o ex-presidente dos EUA Donald Trump, em Miami, no dia 7 de março, para uma cúpula com líderes latino-americanos alinhados à administração americana. A pauta envolve questões regionais.
Durante o discurso, Morales criticou o que chamou de propaganda geopolítica internacional, associando-a a tentativas de diminuir partidos de esquerda na região. Ele manteve o foco em defender o que chama de soberania boliviana.
Continuidade política
- Morales reafirmou apoio a candidatos locais e regionais, destacando a organização social que respalda o MAS. A agenda eleitoral municipal é marcada para o próximo mês.
- O governo Paz busca consolidar alianças internacionais, enquanto enfrenta críticas internas sobre segurança jurídica e denúncias contra autoridades ligadas ao entorno de Morales.
- A região de Chapare, reduto de Morales, permanece sob escrutínio político por seu papel histórico na coca e na base de apoio do ex-líder, desde sua expulsão em 2019.
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