- A ex-chanceler Angela Merkel compareceu ao congresso da CDU em Stuttgart pela primeira vez desde 2021, destacando-se mesmo sem discursar.
- A presença de Merkel ofuscou o atual líder, Friedrich Merz, eleito presidente da CDU com 91,17% dos delegados.
- A participação da antiga chefia sugere continuidade do “merkelismo” na organização, mesmo diante de mudanças na liderança.
- Pesquisas indicam que parte do eleitorado valoriza o centrismo da era Merkel, enquanto Merz é visto como menos alinhado a esse estilo.
- Dentro da CDU, cresce o debate sobre a linha do partido em relação à AfD e à política interna, com críticas à condução de Merz nesse aspecto.
A ex-chanceler Angela Merkel voltou a aparecer publicamente ao escolher o congresso da União Democristã (CDU) em Stuttgart, Alemanha. Sua presença, sem falas, eclipsou o atual líder do partido, Friedrich Merz, que assumiu em 2024 e busca consolidar seu comando após um ano no cargo. O momento foi visto como um sinal de unidade, mas também como lembrete das suas debilidades para obter apoio estável.
Merz, vencedor das eleições gerais de 2024, viu a ostentação de Merkel como um lembrete de carências na hora de construir consensos no parlamento. O encontro reuniu cerca de mil delegados, e Merkel foi recebida com aplausos enquanto se sentava ao lado de seus antecessores Annegret Kramp-Karrenbauer e Armin Laschet. A mensagem clara, segundo observadores, é a influência contínua do legado de Merkel.
Em Stuttgart, a CDU aprovou a reeleição de Merz com 91,17% dos votos, sinal de apoio ao rumo político defendido pelo líder. Ainda assim, setores da legenda questionam o equilíbrio entre política externa e interna, com críticas à velocidade das reformas em parceria com a coalizão liderada pela Social-Democracia. Merkel permanece associada a um estilo de governo estável que agrada parte do eleitorado conservador.
Pesou também a comparação com o desempenho de Olaf Scholz, atual chanceler do SPD. Pesquisas apontam que 35% dos alemães acreditam que Scholz governou melhor que Merz, enquanto 22% preferem Merz. A presença de Merkel, marcada por um apoio de 54% segundo uma sondagem, intensifica o debate sobre o rumbo da CDU e o eventual papel de AfD, na oposição, em eleições futuras.
O debate sobre o cordão sanitário envolvendo a AfD segue aberto. Enquanto parte da bancada afirma que o veto a alianças com o partido é essencial, outros defendem que, em casos de convergência ideológica, o diálogo deveria ser possível. O tema é crucial para o futuro da CDU nas negociações de coalização e da política alemã em geral.
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