- Mark Zuckerberg depôs à Justiça para comentar decisões de segurança do Instagram, incluindo por que certos filtros de beleza não foram banidos.
- O CEO foi questionado durante a manhã por Mark Lanier, representante da parte autora, sobre impactos dos recursos de design no uso das apps e na saúde mental.
- Perguntado sobre contradições entre declarações passadas e documentos – como a ideia de manter jovens no Facebook e Instagram – ele explicou o equilíbrio entre expressão e riscos.
- Zuckerberg afirmou que autorizou alguns filtros criadores, excetuando itens como linhas de “nariz e lábios”, mas sem recomendar nem criar esses filtros no Instagram.
- Ao final do dia, ficou claro que houve divergências internas, com Zuckerberg enfatizando foco em valor para o usuário e evidências de dano não suficientemente convincentes para justificar novas restrições.
Mark Zuckerberg depôs nesta terça-feira para esclarecer decisões de segurança da Meta, incluindo por que o Instagram não baniu determinados filtros de beleza. O depoimento ocorreu durante o julgamento movido por K.G.M., uma mulher de 20 anos que acusa as plataformas de favorecer engajamento acima do bem-estar.
O fundador da Meta foi questionado pelo principal advogado do autor, Mark Lanier, ao longo da sessão da manhã. A defesa pediu que se respondesse sobre divergências entre declarações públicas anteriores e documentos apresentados em defesa de políticas para jovens.
Zuckerberg, em seu depoimento, defendeu que a empresa busca equilibrar expressão com possíveis danos, citando análises internas sobre impactos dos filtros na saúde dos usuários. Ele negou que haja contradição entre mensagens passadas e o conteúdo dos documentos.
Contexto do caso
Questionado sobre a decisão de não banir permanentemente filtros de realidade aumentada que simulam cirurgia plástica, ele afirmou ter considerado evidências de dano potencial, mas não achou os dados conclusivos o bastante para restringir a expressão. A sentença permitiu que criadores mantenham alguns filtros.
O executivo destacou que, em 2019, houve discussão interna sobre suspender temporariamente os filtros, levando em conta pesquisas de bem-estar. Disse que a escolha recaiu sobre permitir que criadores utilizassem parte dessas ferramentas sem que a própria plataforma as recomende.
Lanier sugeriu que a Meta prioriza tempo de uso, enquanto Zuckerberg afirmou que a prioridade tem sido aumentar o valor do produto para os usuários, mesmo que isso traga queda de curto prazo na utilização. O narrativo interno da empresa foi apresentado como foco em utilidade para o usuário.
Zuckerberg também admitiu que nem todos na equipe concordavam com a decisão, apontando que alguns membros tinham preocupações com bem-estar, sem dados convincentes de dano causal suficientes para justificar restrição à expressão.
O depoimento prossegue na segunda semana do julgamento, que deve envolver testemunhos de ex-funcionários da Meta e representantes do YouTube, também parte ré no caso. Pais de vítimas acompanharam a sessão em busca de respostas.
A audiência ocorreu em Los Angeles, sob observação de familiares, profissionais da imprensa e outras partes interessadas. Familiares relataram que a fala do CEO não trouxe novas informações, mas ressaltaram a importância de pressionar por mudanças.
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