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Venezuela aprova anistia limitada, críticas de grupos de direitos humanos

Legislatura sob controle governista aprova anistia limitada, criticada por ONGs por não abranger prisões políticas nem devolver bens, com tramitação em quinze dias

Members of the Venezuela's National Assembly and its president Jorge Rodriguez vote during a debate on an amnesty law meant to grant immediate clemency to individuals jailed for participating in political protests, as the legislation, which has already passed its first vote, requires a second successful vote to pass, in Caracas, Venezuela February 19, 2026. REUTERS/Fausto Torrealba
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  • A Assembleia legislativa, controlada pelo partido no poder na Venezuela, aprovou um projeto de anistia limitado, alvo de críticas de organizações de direitos humanos por não abranger centenas de presos políticos.
  • A lei foi aprovada após segundo debate, conduzido pelo irmão do presidente interino, Jorge Rodríguez, e prevê anistia por participação em protestos políticos e “ações violentas” ocorridas em um breve golpe de 2002 e em manifestações ou eleições em vários meses de 2004 a 2025.
  • Pessoas condenadas por “rebelião militar” envolvendo eventos de 2019 estão excluídas da anistia. A legislação não detalha crimes elegíveis de forma completa, apesar de um rascunho anterior citar incitação a atividade ilegal, resistência às autoridades, rebelião e traição.
  • A lei não restitui bens de detidos, nem revoga impedimentos de ocupação pública por razões políticas ou sanções a meios de comunicação, itens que constavam em propostas anteriores.
  • O texto permite que pessoas no exterior indiquem um advogado para requerer a anistia, mas exige presença pessoal na Venezuela para a concessão, com cobertura apenas para quem cessou as ações que constituem crimes; os tribunais deverão decidir em até quinze dias.

A Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pelo partido governista, aprovou nesta quinta-feira um projeto de anistia limitado. A medida busca amenizar a atuação de protestos políticos e ações consideradas violentas em períodos anteriores, conforme o texto aprovado. A decisão ocorre em meio a críticas de grupos de direitos humanos, que dizem não abranger centena de presos políticos.

Segundo o projeto, a anistia cobre envolvimento em protestos políticos e ações violentas ocorridas durante o breve golpe de 2002, bem como manifestações e eleições em meses específicos de 2004, 2007, 2009, 2013, 2014, 2017, 2019, 2023, 2024 e 2025. Pssoas condenadas por “rebelião militar” em 2019 ficam de fora.

A aprovação ocorreu após segundo debate no Legislativo, conduzido pelo irmão do presidente interino Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez. O governo afirmou que não mantém presos políticos e que os condenados teriam cometido crimes. Organizações de direitos humanos contestam esse ponto, apontando prisões políticas no país.

O texto não detalha de forma específica quais crimes seriam elegíveis para a anistia. Uma versão anterior previa itens como incitar atividade ilegal, resistir às autoridades, rebelião e traição. Também não restituiria bens ou reverter restrições a cargos públicos e sanções a veículos de comunicação.

A lei permite que pessoas no exterior designem advogados para apresentarem pedidos, porém exigiria presença pessoal na Venezuela para a concessão da anistia. O benefício se aplicaria apenas a indivíduos que cessaram as ações que configuram crimes, o que pode excluir quem continua atuando de outros países.

De acordo com o texto, tribunais devem decidir sobre as solicitações de anistia em até 15 dias. A legislação também prevê a remoção de mandados de prisão internacionais para quem receber a amnistia. A medida é parte de um esforço de normalizar relações com a imprensa internacional e autoridades estrangeiras, segundo fontes próximas ao governo.

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