- O administrador Lin Rui-Siang do mercado dark web Incognito foi condenado a trinta anos de prisão, em uma das penas mais altas nos EUA por venda de drogas na deep web.
- A defesa revelou, pela primeira vez em público, que um informante do FBI ajudou a administrar o Incognito por quase dois anos, e que, em alguns casos, aprovou a venda de fentanilóides.
- Os advogados afirmam que o informante, considerado sujeito de confiança do governo, gerenciava grande parte das operações diárias do site e decisões sobre vendedores.
- A promotoria sustenta que o informante era subordinado a Lin e que as decisões sobre permitir ou não vendas de fentanil foram de responsabilidade do administrador.
- Registros judiciais apontam incidentes em que vendedores com fentanilteados foram autorizados a continuar vendendo, mesmo após denúncias de riscos e casos que levaram a hospitalizações.
Um funcionário de uma operação da dark web foi revelado como alvo/controlado pelo FBI enquanto ajudava a administrar o marketplace Incognito, responsável pela venda de mais de US$ 100 milhões em narcóticos. A Justiça informou que Lin Rui-Siang, de 25 anos, foi condenado a 30 anos de prisão pela gestão do site, que funcionou até 2024.
A promotoria afirmou que Lin controlava a infraestrutura e as decisões técnicas, enquanto o informante do FBI atuava como moderador, com poderes para remover vendedores, mas também teria autorizado vendas com possibilidade de adulteração por fentanyl. A defesa, porém, sustenta que o informante era sócio na operação, sob ordem de autoridades.
Lin relatou à WIRED que o informante seria pleno sócio, com participação nos lucros e nas decisões de negócios, incluindo aprovações de vendas de opioides com fentanyl. Registros apresentados mostram que o informante afirmava supervisionar a maior parte das transações do market.
Papel do informante do FBI é questionado
A acusação sustenta que o informante era subordinado a Lin, recebendo ordens dele, e que a decisão de permitir vendas de opioides era de responsabilidade do réu. Documentos judiciais enfatizam que Lin poderia ter se beneficiado com a operação, mesmo diante de riscos de graves danos.
Relatos dos autos apontam casos em que clientes relataram venda de pílulas com fentanyl que resultaram em risco de hospitalização. Em uma dessas situações, o informante teria reembolsado a transação sem remover o vendedor, segundo as informações apresentadas pela defesa.
Diversos incidentes citados pela acusação relacionam decisões do informante sobre a continuidade de dealers, mesmo após sinais de alerta sobre fentanyl. Em setembro de 2022, um vendedor comercializou pílulas associadas à overdose de Reed Churchill, cuja morte gerou investigações públicas.
Contexto do julgamento
Ao falar na audiência de condenação, o Ministério Público manteve a posição de que o FBI utilizou o informante como ferramenta para identificar Lin, documentar o funcionamento do site e efetivar a desativação do marketplace. O réu resistiu, alegando que o informante influenciava decisões-chave do negócio.
As defesas de Lin também destacam que, mesmo com o informante atuando desde o início, Lin controlava o código e a infra. O DOJ não comenteu além dos autos, e o FBI não respondeu a pedidos de comentário. A defesa aponta que houve falhas na aplicação de medidas de segurança que teriam reduzido danos.
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