- O programa de Liberdade na Internet, gerido pelo Departamento de Estado dos EUA, já destinou mais de US$ 500 milhões nos últimos dez anos, incluindo US$ 94 milhões em 2024.
- Em 2025, cortes promovidos pela gestão de Doge levaram à falta de novas concessões, com o escritório principal de financiamentos sem dinheiro naquele ano; o Open Technology Fund obteve parte do financiamento de volta em uma ação judicial, e a administração atual recorre.
- Em janeiro, a administração Trump retirou os EUA da Freedom Online Coalition, uma aliança global para defender direitos digitais.
- Os cortes ameaçam tecnologias que ajudam iranianos a coordenar protestos, usuários chineses a contornar a censura e a disseminação de notícias internacionais quando redes locais estão desativadas.
- Grupos continuam buscando financiamentos alternativos na Europa, enquanto regimes de censura ficam mais capazes de restringir conteúdos e controlar o acesso à informação.
O programa de Liberdade na Internet, gerido pelo Departamento de Estado dos EUA e pela US Agency for Global Media, financia grupos que criam tecnologias para contornar censura governamental. Nos últimos dez anos, já destinou mais de 500 milhões de dólares, com 94 milhões somente em 2024.
Após a nomeação de Doge, o departamento de eficiência do governo, as equipes que sustentavam o programa foram substituídas ou desligadas em 2025. Muitas iniciativas foram cortadas, e o principal escritório financeiro não liberou recursos naquele ano.
O Open Technology Fund, ONG que gerencia quase metade do financiamento, ganhou uma ação judicial para reativar parte do repasse em dezembro de 2025, mas o governo Trump recorreu. O corte também coincidiu com a saída dos EUA da Freedom Online Coalition em janeiro.
O que está em jogo
As consequências abrangem Irã, Myanmar e China, onde tecnologias de evasão ajudam a contornar censuras extremas e a partilhar informações durante protestos. A redução de recursos pode frear avanços técnicos usados para manter a informação acessível.
Analistas apontam que a queda do dinheiro dificulta o desenvolvimento de ferramentas como redes de comunicação privadas, protocolos de anonimato e soluções de transmissão de dados via satélite. Esses recursos ajudam a manter o fluxo de notícias internacionais.
Reações e perspectivas
Grupos beneficiários continuam buscando financiamento alternativo, inclusive na União Europeia, enquanto alguns pesquisadores avaliam o impacto de perdas adicionais. Especialistas ressaltam que novas fontes de apoio são cruciais para sustentar a interoperabilidade da internet mundial.
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