- O general David Petraeus, ex-diretor da CIA, dá entrevista em Washington sobre geopolítica, destacando a relação entre Estados Unidos e China, Ucrânia e Irã.
- Diz acreditar que a relação com a China é a mais importante, e que é preciso encauçá-la para não descarrilar; admite que a Ucrânia está em melhor posição devido à atuação da UE, da OTAN e dos EUA e recomenda aumentar pressão a Moscou por meio de sanções.
- Avalia que o Irã está mais fragilizado, com protestos e economia abalada, e que grupos radicais aliados na região estão enfraquecidos, sem a Síria como aliada.
- Comenta a operação que capturou Nicolás Maduro e afirma que isso melhorou a situação no Hemisfério Ocidental; fala em possibilidade de negociação com o regime venezuelano, com reformas e eleições justas como objetivo.
- Ressalta ter presenciado consequências de intervenções passadas e defende tratar aliados com pragmatismo, além de discutir o papel de Groenlândia como questão estratégica, sem defender anexação.
David Petraeus, ex-diretor da CIA e veterano da contrainsurgência, concedeu entrevista a EL PAÍS em Washington. O general reflete sobre a geopolítica atual e a influência dos EUA no mundo, avaliando estratégias com foco em precisão e pragmatismo.
O tema central é a relação EUA-China, vista como a mais estratégica e desafiadora. O veterano avalia que manter a estabilidade nessa relação é crucial para o equilíbrio global, com implicações para guerras, comércio e diplomacia.
A entrevista também aborda Venezuela, Irã e operações militares anteriores, sempre sob a ótica de atuação pragmática dos EUA, com o objetivo de pressionar regimes a negociarem sem ampliar conflitos diretos.
O que acontece e quem está envolvido
Petraeus aponta que as ações dos EUA no Hemisfério, incluindo a captura de lideranças, devem ser consideradas dentro de uma estratégia de transição, com potencial participação de governos locais e aliados regionais para evitar ações abruptas.
Ele descreve que as decisões recentes envolvem autoridades americanas de alto escalão, com foco em transições políticas, negociações internacionais e proteção de interesses econômicos.
A visão é de que o papel de Delcy Rodríguez na Venezuela pode exigir uma nova forma de tutela, sem exclusão de diálogo, sempre com vigilância sobre impactos nas empresas estrangeiras e na população local.
Contexto regional e transições
O general analisa experiências de mudanças de regime na América Latina, lembrando casos como Haiti, Panamá e outras transições, para ilustrar riscos e consequências de intervenções militares.
Para ele, o cenário venezuelano exige negociação extensa, com a possibilidade de eleições justas e livres, desde que haja apoio internacional, reformas institucionais e participação de atores chave.
Relação com Irã e o papel da pressão
Sobre Irã, Petraeus diz que o país está fragilizado por protestos internos e dificuldades econômicas, além de limitações no desenvolvimento nuclear, o que pode ampliar a pressão externa por meio de sanções.
Essa leitura sustenta a ideia de pressionar Moscou via coalizões ocidentais para forçar o Kremlin a buscar negociações mais favoráveis aos interesses ocidentais.
Groenlândia e alianças estratégicas
Ao discutir Groenlândia, o veterano ressalta sua importância geoestratégica para a OTAN e para bases de defesa. A sugestão é evitar anexação direta, priorizando proteção de interesses por meio de alianças e presença diplomática.
Ele enfatiza que as relações com aliados devem ser bem tratadas, para manter múltiplas frentes ativas sem sobrecarregar a política externa dos EUA.
Considerações sobre a intervenção na Venezuela
Petraeus aponta que a intervenção venezuelana envolve dilemas legais e estratégicos, com possibilidade de saída negociada ou necessidade de eleições, sempre avaliando impactos regionais e globais.
O ex-militar afirma que mudanças de regime devem considerar consequências abertas, evitando reflexos que alimentem radicalizações locais ou ampliações do conflito.
Perspectivas para o futuro
Segundo o veterano, o centro de gravidade das dificuldades internacionais está na gestão da relação com a China, cuja complexidade supera a soma de outros desafios.
A atuação dos EUA, diz, dependerá de manter alianças estáveis, de evitar ações que agravem tensões e de buscar soluções que promovam transições políticas estáveis em regimes sob pressão.
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