- O ministro das Relações Exteriores da Irã, Abbas Araghchi, é veterano em negociações nucleares e detém um livro sobre a arte de negociar, destacando o estilo iraniano de barganha.
- As negociações em Genebra visam avanços pragmáticos entre Irã e Estados Unidos, com concessões mútuas e adaptação a estilos de negociação diferentes.
- Araghchi é visto como figura mais técnica e cautelosa que seu antecessor Javad Zarif, mantendo redes de apoio dentro do regime, incluindo proximidade com a Guarda Revolucionária.
- O encontro inclui discussões sobre enriquecimento de urânio, visita da IAEA aos sites bombardeados e possíveis passos irreversíveis por ambos os lados, como liberação de ativos iranianos congelados.
- Analistas sugerem que a flexibilidade dos EUA pode incluir entendimentos não formalizados e até acordos de não agressão, enquanto o Irã pode oferecer concessões para manter o diálogo aberto.
O Irã e os Estados Unidos retomam as negociações nucleares em Genebra, com pauta marcada para começar nesta terça-feira. O objetivo é evitar uma escalada regional, exigindo concessões de ambas as partes para recuperar o acordo de 2015. O encontro ocorre em meio a tensões persistentes.
Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, lidera o time iraniano. Diplomata de carreira com quase 15 anos de negociações nucleares, ele já escreveu sobre a arte dos acordos e é visto como uma figura que privilegia o consenso dentro do governo.
O encontro envolve a preparação de parâmetros que o Irã pode oferecer, em diálogo com o governo iraniano, incluindo o Supremo Líder Ali Khamenei. Steve Witkoff, enviado especial dos EUA, atua segundo um briefing dinâmico definido pela administração, com foco em andamento técnico das tratativas.
Araghchi traz como marca o estilo de negociações conhecido no Irã como “mercado”: barganha contínua, paciência e repetição de posições. Ele já descreveu a importância de manter a expressão facial sob controle como ferramenta diplomática.
Segundo especialistas, o foco pode incluir a retirada ou diluição gradual do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã, desde que haja contrapartidas dos EUA, como desbloqueio de ativos congelados. A IAEA tem papel central nas inspeções.
A leitura dos próximos passos — inclusive o retorno da presença internacional da IAEA aos sítios bombardeados — pode influenciar o ritmo das conversas. Analistas destacam que endurecimento de uma parte exige medidas equivalentes da outra.
Alguns estudiosos sugerem que acordos não precisam ser apenas por escrito, podendo envolver entendimentos não verificáveis, como pactos de não agressão entre EUA e Irã. A janela de tempo para avanços é percebida como limitada.
Araghchi é visto como tecnicamente cuidadoso para manter o equilíbrio entre forças políticas dentro do Irã, ao contrário de seu antecessor Zarif. A expectativa é de que ele apresente concessões estratégicas sem provocar rupturas internas.
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