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Colômbia identifica restos de sacerdote de grupo rebelde morto em 1966

Após sessenta anos, restos do padre Camilo Torres, ligado ao ELN, são identificados; sepultamento na Universidade Nacional de Bogotá

A grave cross is seen in the area where ossuaries are being built, on the day of a commemorative event in memory of people reported missing during the armed conflict in the country, at the Jamundi cemetery in Jamundi, Colombia, May 29, 2025. REUTERS/Jair F. Coll
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  • O Estado colombiano identificou os restos de Camilo Torres, sacerdote católico e membro do Exército de Libertação Nacional (ELN), morto em combate em 1966.
  • A Unidade de Busca de Pessoas Desaparecidas (UBPD), criada em 2016, informou que Torres foi encontrado 60 anos após o desaparecimento.
  • A identificação contou com registros públicos e classificados, com comparação de DNA entre ossos encontrados em 2024 e amostra do pai de Torres, Calisto.
  • Os restos serão enterrados na Universidade Nacional de Bogotá, onde Torres estudou e atuou como capelão; o sepultamento ocorreu no aniversário de 60 anos de sua morte.
  • Os restos foram entregues ao padre Carlos Javier Giraldo, conhecido por defender vítimas do conflito; a igreja vem buscando fortalecer o debate sobre o legado de Torres.

O governo colombiano anunciou a identificação dos restos do padre Camilo Torres, líder católico ligado ao grupo guerrilheiro ELN, morto em combate em 1966. A descoberta encerra seis décadas de busca para familiares e para o próprio Estado.

Camilo Torres tornou-se figura conhecida por sua teologia da libertação e atuação social. Ele ingressou no ELN cerca de quatro meses antes de sua morte, ocorrida em fevereiro de 1966, durante confronto no leste da região de Santander.

A identificação foi realizada pela Unidade de Busca de Pessoas Desaparecidas (UBPD), criada em 2016 pelo acordo de paz com as Farc. A instituição utiliza registros públicos e forenses para localizar pessoas desaparecidas em seis décadas de conflito.

Avanços do trabalho da UBPD e detalhes da identificação

A UBPD informou que cruzou documentos, incluindo registros do sistema de justiça militar, para localizar onde os restos teriam sido sepultados pela força pública após a morte de Torres. Amostras de DNA de ossos encontrados em 2024 em Bucaramanga foram comparadas com material do pai de Torres, Calisto, exumado em Bogotá para testes.

O diretor da UBPD, Luz Janeth Forero, destacou que a comparação genética confirmou a identidade. Após 60 anos, a localização e o reconhecimento dos restos ocorreram com dignidade para a família e para o histórico dessa trajetória.

Os trabalhos da UBPD, iniciados em 2017, já resultaram na localização de quase 5 mil restos, com cerca de 700 pessoas identificadas e entregues a familiares. Além disso, a instituição informou ter encontrado 500 pessoas ainda vivas que estavam desaparecidas.

Desdobramentos e próximas etapas

Os restos de Camilo Torres foram entregues ao padre Javier Giraldo, conhecido por ativismo em defesa de vítimas do conflito. Giraldo informou que Torres será sepultado na Universidade Nacional de Bogotá, onde o sacerdote estudou e atuou como capelão.

Embora a Igreja Católica tenha objetado a participação de Torres no ELN, há abertura para discutir o legado dele como capelão, ativista e pensador de justiça social, segundo Giraldo.

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