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O que esperar para Groenlândia e Ucrânia após a conferência de Munique

Munich deixa questões em aberto: Europa busca autonomia, racha com EUA persiste e garantias de segurança para a Ucrânia ganham peso nas negociações

Marco Rubio and Volodymyr Zelenskyy at the security conference in Munich.
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  • A Munich Security Conference gerou perguntas após o encerramento, destacando como muitos temas continuam sem solução.
  • Macron e o chanceler alemão sinalizaram buscar um caminho europeu mais independente, inclusive com conversas sobre uma dissuasão nuclear europeia, mantendo a aliança com Washington.
  • O ministro das Relações Exteriores dos Estados Unidos destacou a forte ligação com a Europa, ainda que haja tensões e apelos por maior unidade, especialmente após pesquisas de opinião na Europa.
  • A primeira-ministra dinamarquesa e o governo da Groenlândia discutiram questões de segurança no Ártico; houve pressão sobre a Groenlândia em relação a cenários envolvendo ex-País.
  • Em relação à Ucrânia, Zelenskyy pediu garantias de segurança por pelo menos vinte anos como condição para um acordo, enquanto os EUA preparam uma reunião trilateral com a Ucrânia e a Rússia pela via diplomática.

A Munique Security Conference, foro tradicional de debate internacional, terminou mais uma edição sem resoluções definitivas sobre os grandes desafios globais. O encontro reuniu líderes, diplomatas e especialistas para discutir segurança, diplomacia e o papel da Europa e dos EUA no cenário atual.

Europa em busca de um papel mais autônomo. Em meio a discursos de Emmanuel Macron e do chanceler alemão, Friedrich Merz, foram anunciadas conversas sobre uma possível deterrência nuclear europeia, num esforço de reduzir a dependência estratégica dos EUA. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, destacou a necessidade de um relacionamento de defesa mais próximo entre Reino Unido e União Europeia, sem abrir mão da aliança com Washington.

Relação transatlântica em tensão. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, adotou tom menos belicoso que em 2025, ao afirmar que EUA permanecem fortemente ligados à Europa, ainda que possam agir sozinho se necessário. Merz criticou a polarização interna dos EUA, enquanto a chefe de Política Externa da UE, Câja Kallas, reclamou de ataques à Europa e defendeu a relevância de valores compartilhados.

A questão de Groenlândia volta a ganhar peso. A chefe do governo dinamarquês, Mette Frederiksen, e o líder da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, tiveram reunião com Rubio, considerada construtiva. Frederiksen sinalizou que Trump ainda demonstra interesse por Groenlândia, embora tenha recuado em suas ameaças anteriores. Um grupo de trabalho EUA-Dinamarca-Groenlândia foi criado para discutir segurança no Ártico.

O conflito na Ucrânia segue como tema central. Zelenskyy enfatizou a necessidade de garantias de segurança por pelo menos 20 anos para que um acordo de paz seja viável, além de um caminho claro para a adesão da Ucrânia à UE. Rubio participou de encontros com o presidente ucraniano à margem do evento e comentou sobre possíveis reuniões trilaterais futuras com a presença de Washington.

Perspectivas para 2028. A conferência serviu também como palco para possíveis candidatos democratas, entre eles Gavin Newsom, Ruben Gallego, Gretchen Whitmer e Alexandria Ocasio-Cortez. A imprensa acompanhou com atenção a presença de AOC, que ressaltou uma visão alternativa de política externa de esquerda, criticando a relação com o governo de Trump e o apoio militar incondicional a certos aliados.

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