- Mohan Karki, nepalesa nepali, foi deportado para o Bhutão em 13 de janeiro, após cerca de nove meses de detenção e batalha jurídica movida pela esposa e por advogados. Ele é apátrida.
- Basnet, esposa dele, e a filha de sete meses Briana acompanham a história de perto; ela relata ter ajudado na defesa jurídica enquanto cuida da família à distância.
- O caso faz parte de um padrão mais amplo, segundo defensores de direitos humanos, de deportações de refugiados para países com pouca ligação, levando a riscos de apatridia e de retorno a situações perigosas.
- OBhutan não reconhece cidadania para muitos refugiados nepaleses exilados, e não há acordo público de repatriação com os dois países, o que agrava a insegurança de quem é devolvido.
- Organizações e advogados questionam a prática e buscam entender entendimentos entre governos, destacando que a situação de apatridia é perigosa e pode deixar deportados sem proteção legal.
Mohan Karki, de 30 anos, foi deportado para o Bhutan em 13 de janeiro, após mais de nove meses de detenção e longas batalhas legais movidas pela esposa, Tika Basnet, e seus advogados. A família, que vive nos EUA, ficou sem contato direto com ele neste momento.
Basnet e a filha Briana, de sete meses, enfrentam a distância a quase 9000 milhas de onde Karki está. Ela descreve a situação como uma crise material, com a prática de remoção em países sem ligação próxima aos migrantes.
Karki é considerado apátrida, já que nasceu em um campo de refugiados no Nepal. Ainda que seus pais sejam nepaleses, retornar ao Bhutan o expõe a risco de perseguição e de não ter cidadania reconhecida.
A remoção de refugiados para terceiros países é tema de críticas entre organizações de direitos humanos. Defensores afirmam que o Bhutan não reconhece tais indivíduos como cidadãos, deixando-os sem proteção.
Especialistas ressaltam que o Bhutan tem histórico de não aceitar repatriação de refugiados nepaleses, o que agrava a incerteza legal e a vulnerabilidade desses deportados.
Contexto histórico
O caso se conecta a uma crise histórica que começou nos anos 1990, quando mais de 100 mil nepaleses de etnia nepalesa-boo teram forcadamente deixado o Bhutan. Muitos chegaram a abrigos no Nepal.
A política de reassentamento dos EUA, iniciada em 2008, levou milhares de refugiados nepaleses ao país. Karki viveu em geórgia e Basnet em Ohio antes de se unirem.
O casal se conheceu em 2021, manteve contato pela internet e se casou em 2023. A instabilidade migratória gerou dificuldades para conseguir emprego estável e regularizar documentação.
Desfecho recente
Em 2 de abril, durante um check-in com a ICE, Karki foi detido e encaminhado para a detenção. A família tenta recursos legais para interromper a deportação, sem sucesso até a confirmação do destino.
Ao chegar a Paro, no Bhutan, Karki recebeu orientações que o colocam entre a vida sem cidadania e a possibilidade de permanência precária. Organizações internacionais destacam a fragilidade de stateless individuals nessa situação.
Basnet continua lutando pela volta do marido, trabalhando para sustentar a filha e coordenando contatos com advogados e comunidades nepalesas. Ela afirma que a família não tem plano de desistir da busca por retorno seguro.
Perspectivas e defesa
Defensores observam que as políticas de remoção para terceiros países carecem de salvaguardas para pessoas sem cidadania. O caso indica necessidade de avaliação de acordos entre governos e de maior transparência sobre critérios das remoções.
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