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Trump, Irã, Ucrânia e Groenlândia: limites entre paz e guerra

Com Trump de volta, EUA ampliam presença estratégica na Groenlândia e buscam avanço no acordo Rússia-Ucrânia, enquanto Irã enfrenta crise interna e tensões

O presidente dos EUA, Donald Trump, gesticula após seu discurso especial na 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (FEM) em Davos, Suíça, em 21 de janeiro de 2026. (Foto: Gian Ehrenzeller/EFE/EPA)
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  • O retorno de Donald Trump ao poder intensifica a presença dos EUA na Groenlândia, em meio ao derretimento do Ártico e à busca por novas rotas comerciais, com potencial pressão de Rússia e China.
  • A Groenlândia poderia integrar o “Domo de Ouro”, um sistema de satélites de vigilância e defesa, ante o desenvolvimento de mísseis por China, Coreia do Norte e Rússia.
  • Trump avança na ideia de fechar um acordo de paz entre Ucrânia e Rússia, tratando termos sobre territórios que permaneceriam sob controle russo, tornando improvável o retorno ao status anterior para a Ucrânia.
  • No Irã, crise econômica e ataques anteriores fortalecem o regime; o governo americano anuncia envio de aparato de vigilância e ataque para áreas próximas ao país.
  • Em termos estratégicos, busca-se conter a influência chinesa, preservar zonas de influência tradicionais e promover a paz na Europa, ampliando acordos de Abraão para reduzir a atuação da Nova Rota da Seda.

Trump volta à cena internacional e redesenha prioridades de segurança global. O governo norte-americano intensifica ações para influenciar a América Latina, o Golfo do México e a região do Canal do Panamá, com foco na queda de regimes adversos e na projeção de poder regional.

Paralelamente, a Groenlândia surge como peça central da estratégia dos EUA frente ao Ártico. O derretimento acelerado do gelo abre espaço para rotas comerciais e rotas estratégicas, com potencial de facilitar o fluxo de produtos da Rússia e da China até o norte do Atlântico.

Geopolítica no Ártico e a Groenlândia

O objetivo é integrar a Groenlândia a uma rede de vigilância e defesa, associada ao que se chama de Domo de Ouro. A ideia envolve satélites e sistemas de interceptação de mísseis, em resposta ao crescimento de testes balísticos na Rússia, China e na própria Coreia do Norte.

A relação com Dinamarca, Groenlândia e a Otan é central. Embora não haja uma estratégia formalizada, autoridades americanas indicam um caminho sem retorno para ampliar a presença na região, mantendo diálogo com aliados locais.

Ucrânia, Rússia e o desafio diplomático

Em paralelo, Washington busca avançar em negociações para um acordo de paz entre Ucrânia e Rússia. Diplomatas de ambos os lados conversam diretamente, com foco em territórios que poderiam permanecer sob controle russo, segundo fontes trabalhistas das negociações.

O governo ucraniano, chefiado por Volodymyr Zelensky, enfrenta dificuldades para retomar integralmente regiões perdidas desde 2014. Analistas veem a paz como possibilidade, mas a reversão do status quo aparece menos provável.

Iran e o seu cenário interno

Enquanto isso, o Irã passa por uma crise econômica profunda. A repressão interna permanece, sustentada por forças alinhadas à Revolução Islâmica, diante de sanções e ataques que atingiram o país no último ano.

Durante viagem oficial, Trump anunciou reforços de vigilância e capacidade de ataque próximas ao território persa. A presença militar aumenta a percepção de ações futuras em áreas sensíveis do Oriente Médio.

Cronologia e objetivos da política externa

As ações de Washington parecem coordenadas para conter a influência chinesa e preservar zonas de influência tradicionais, especialmente na América Latina e no Oriente Médio. A ampliação de acordos regionais, como os de Abraão, é citada como instrumento para isolar rivais estratégicos.

Essa leitura sugere um equilíbrio instável entre a possibilidade de paz duradoura e a continuidade de conflitos regionais, em uma fase de globalização com tensões acentuadas entre potências militares e econômicas.

Victor Missiato, professor de História do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tambor, analista político.

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