- A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, acusa o Conselho do Trump de usar o “Board of Peace” como instrumento pessoal, sem prestação de contas a palestinos ou à ONU.
- O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que Trump busca contornar o mandato original da ONU para o conselho, e que a Europa, financiadora da Autoridade Palestina, ficou de fora do processo.
- Kallas disse que o estatuto do Board of Peace não faz referência a Gaza nem à ONU, diferindo do que previa a resolução do Conselho de Segurança da ONU, que tinha prazos e participação palestina.
- O encontro do Board de Peace está programado para a próxima semana em Washington, enquanto há críticas sobre a atual paralisação do cessar-fogo em Gaza.
- O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, rebateu as críticas, dizendo que é preciso reduzir a atuação da ONU e dar espaço a uma maior participação de países na reconstrução; também foi anunciada a contribuição da Indonésia com 8 mil militares para a Força Internacional de Estabilização.
A tensão entre a União Europeia e os Estados Unidos sobre o futuro de Gaza ficou explícita durante a Conferência de Segurança de Munique. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que o chamado Board of Peace de Donald Trump funciona como um veículo pessoal que escapa da supervisão de Palestinians ou da ONU. Ela destacou que o estatuto atual não faz referência a Gaza nem à organização das Nações Unidas.
Albares, ministro espanhol das Relações Exteriores, também criticou a iniciativa, dizendo que o conselho tenta contornar o mandato original da ONU. A Europa, principal financiadora da Autoridade Palestina, teria ficado de fora do processo, segundo a leitura da autoridade europeia. As declarações sinalizam desentendimentos formais com a proposta de Biden-Trump para a região.
Na Munique, Kallas reiterou que o objetivo da resolução da ONU era amparar Gaza por meio de um Board de Paz, mas o estatuto do Conselho não reflete esse propósito nem o papel da soberania palestina. Ela enfatizou que, embora haja uma resolução de Conselho de Segurança com vigência até 2027, o Board não reflete suas cláusulas.
Controvérsia em aberto
O tema ganhou contornos políticos com a intervenção do senador democrata Chris Murphy, que teme falta de mecanismos de controle sobre recursos de reconstrução. Ele mencionou riscos de que verbas vultosas favoreçam aliados de Trump. O debate ocorre antes da próxima reunião do Board, prevista para ocorrer em Washington na semana seguinte.
Nickolay Mladenov, representante da ONU indicado por Trump para Gaza, pediu foco na urgência humanitária, na desmilitarização de armas e na reunificação de Gaza. Ele ressaltou que sem um governo comum dentro de Gaza não haverá caminho para a viabilidade de uma solução de dois Estados.
Mike Waltz, embaixador dos EUA na ONU, respondeu às críticas dizendo que a gestão atual não pode perdurar. Ele indicou que a Indonésia deve contribuir com tropas para uma força de estabilização internacional. Também afirmou que alguns países preferem não canalizar bilhões de reconstrução pelo sistema da ONU.
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