- Nicaragua cancelou o visado livre para cubanos que chegam a Managua, alterando a categoria migratória de A (exento de visto) para C (visa consultada sem custo). A decisão ocorreu no início desta semana, segundo anúncio discreto do Ministério do Interior.
- A medida ocorre em meio a pressões dos EUA contra Cuba e Nicaragua, num contexto regional de reconfiguração de alianças após a queda de Maduro.
- A mudança é parte de concessões do governo sandinista para manter o poder, sem comprometer a figura de Rosaria Murillo, copresidenta junto ao presidente Daniel Ortega.
- Washington tem aumentado a pressão sobre Murillo, com critica à copresidência e propostas no Congresso de ampliar sanções e revisar fluxos financeiros que sustentam o regime.
- O regime já estabeleceu Cuba como trampolim migratório desde 2021; os EUA passaram a impor restrições a operadores de transporte e a empresas ligadas à entrada de cubanos pelo país, com efeito direto na rota migratória para os EUA.
Nicaragua encerrou o regime de visto livre para cidadãos cubanos que chegam a Manágua, abrindo a possibilidade de viagem direta para a fronteira sul e a rota migratória rumo aos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo Ministério do Interior, substitui a isenção de visto pela categoria C, com visto consultado sem custo.
A decisão ocorreu no início desta semana, após vazamentos de um comunicado oficial. A alteração impacta cubanos que costumavam entrar no país com facilidade para seguir viagem pelo território nicaraguense ou atravessar a fronteira a pé.
A adoção ocorre em contexto de tensões entre Washington e Havana e de reconfiguração regional após a queda de Nicolás Maduro, identificando o governo sandinista como aliado estratégico de Cuba e, segundo críticos, de movimentos pró-Trump.
Mudança no regime de vistos
A nova disposição estabelece que “todos os cidadãos cubanos com passaporte comum passam da categoria A (visa isenta) para a categoria C (visa consultada sem custo)”. A alteração é apresentada pelo governo como ajuste migratório, sem detalhar critérios adicionais.
Analistas observam que a medida pode sinalizar tentativa de condicionar fluxos migratórios e evitar consequências políticas com a Casa Branca. A mudança ocorre num momento de pressão de Washington contra governos de esquerda na região.
Washington intensificou críticas à co-presidência de Ortega e Murillo, tratando-a como núcleo de poder. Em janeiro, o Departamento de Estado questionou a legitimidade da dupla, ao apontar a gestão como mecanismo de controle sem eleição direta.
Contexto internacional
Os Estados Unidos têm aumentado sanções e restrições a atores ligados ao regime, incluindo setores do transporte de migrantes e empresários que facilitam rotas irregulares. A Casa Branca busca pressionar o governo nicaraguense sem desestabilizar acordos regionais.
Especialistas indicam que Ortega e Murillo podem atuar para reduzir visibilidade internacional, buscando manter o poder diante de possíveis consequências legais e diplomáticas. O entorno político permanece sob observação de órgãos norte-americanos.
Histórico da rota cubana
O regime de Ortega instaurou o visto livre para cubanos em novembro de 2021, sob argumento humanitário. Em 2021, milhares de cubanos chegaram a Managua, tornando-se ponto estratégico de migração rumo aos EUA.
Entre 2022 e 2024, a rota cubana ganhou relevância para migrantes, com resposta dos Estados Unidos em forma de sanções a funcionários e empresas vinculadas ao regime. A mudança de regime visa encerrar esse canal específico de passagem migratória.
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