- O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o país não busca uma arma nuclear e manifestou “grande tristeza” pela repressão aos protestos.
- As comemorações da revolução de 1979 mostraram apoio ao governo, mas também houve denúncias de prisões em massa e protestos em Teerã, com moradores ouvindo relatos de violência.
- Pezeshkian afirmou disposição para negociações sobre o programa nuclear e aceitação de verificação, embora a Aiaea não tenha conseguido inspecionar o estoque nuclear iraniano há meses.
- O político destacou que há desconfiança entre EUA e Europa, o que dificulta as negociações, e revelou que o Irã quer diálogo com determinação por paz e estabilidade regional.
- O contexto envolve pressão de Washington, com possibilidade de ação militar, além de mediadores no Golfo; autoridades iranianas mantêm linha de negociações sob condições consideradas pelo regime.
O presidente do Irã afirmou que o país não busca obter armas nucleares e reconheceu profundo pesar pelos episódios de violência contra manifestantes nas últimas semanas. As declarações foram feitas durante as comemorações de aniversário da revolução de 1979, com Pezeshkian buscando transmitir uma mensagem de unidade nacional diante da crise.
Pezeshkian afirmou que o Irã está disposto a negociar o seu programa nuclear e que aceita qualquer verificação necessária para comprovar que não pretende produzir armas. Ele destacou, no entanto, a desconfiança criada pelos EUA e pela Europa, que, segundo ele, dificulta as negociações.
O presidente também disse estar pronto para ouvir a voz do povo e afirmou que o governo atua com determinação em diálogo pela paz na região. Não mencionou diretamente os confrontos entre forças de segurança e manifestantes.
Situação interna e protestos
Enquanto isso, líderes reformistas foram alvo de prisões em dias recentes. Advogados de detidos afirmam que muitos estão em regime de isolamento. Organizações ligadas aos organismos de segurança classificam os reformistas como sediciosos por suposta tentativa de organizar conferência nacional.
Paralelamente, a comemoração de 1979 mostrou desfiles pró-governo na televisão estatal, com bandeiras americanas sendo queimadas e cânticos contra os Estados Unidos. Relatos de testemunhas indicaram também apelos em silêncio contra o que foi descrito como opressão do regime.
Diálogo com EUA e mediação internacional
O governo iraniano sinalizou disposição para discutir redução no enriquecimento de urânio. Diplomatas procuraram impedir que Israel, representado por Netanyahu, influencie negativamente as negociações com os EUA. O tema mísseis balísticos, porém, permanece fora das negociações segundo autoridades iranianas.
Entre diplomatas, Ali Shamkhani indicou que as negociações sobre mísseis não estão sob a authority dos negociadores. Em busca de uma posição mais flexível, Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional, visitou Qatar após conversar com mediadores em Omã, mantendo a ideia de ampliar o diálogo se os próximos encontros envolvendo o programa civil de energia nuclear forem bem-sucedidos.
Larijani ressaltou que, se as negociações com os EUA derem certo, podem ser expandidas a outras áreas. No momento, porém, não há garantia de alterações nas pautas de disputas entre os dois países.
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