- O Conselho de Paz, criado por resolução da ONU para implementar o plano de Gaza, está sob liderança de Donald Trump, com poderes amplos na diretoria e como presidente emérito vitalício.
- O conselho cobra 1 bilhão de dólares para adesão de países e afirma “garantir a paz duradoura” em áreas de conflito, conforme sua carta.
- O primeiro encontro, previsto para este mês, deve contar com poucos aliados ocidentais, incluindo França, Alemanha, Reino Unido e Canadá, que devem evitar participação.
- A carta do conselho não menciona Gaza, sinalizando ambições que vão além do plano inicial e incluem atuação em outros temas internacionais.
- Críticos temem que Trump domine o órgão, já que ele pode convocar reuniões, vetar decisões da diretoria executiva e indicar substitutos, configurando rivalidade com a ONU.
O Conselho de Segurança da ONU criou, no ano passado, a Board of Peace (Conselho da Paz) por meio de resolução. O objetivo inicial era operacionalizar o plano de paz para Gaza, mas o órgão já é visto por aliados como próximo de um domínio do presidente dos EUA, Donald Trump. Em meio a esse receio, governos temem ingerência desmedida.
A convite de Trump, cerca de 60 países foram chamados a participar. Até o momento, aproximadamente 20 confirmaram presença. Entre eles estão Albânia, Argentina, Egito, Israel, Jordânia, Cazaquistão, Marrocos, Paquistão, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Turquia e Vietnã. Diversas democracias ainda não endossaram o projeto.
Controle e estrutura
O estatuto concede a Trump poderes como presidente, caixa e árbitro, com possibilidade de afastamento apenas por renúncia voluntária ou por incapacidade, com votação unânime do Conselho Executivo. O Conselho Executivo é nomeado por Trump e inclui, entre outros, o assessor de segurança, ministros e o genro do presidente.
A carta constitutiva aponta que o objetivo é promover a paz em áreas de conflito, com cobrança de um aporte de 1 bilhão de dólares. Em vez de mencionar Gaza, o texto aponta uma atuação mais ampla e uma construção de um corpo de paz “mais ágil” do que o atual modelo internacional.
Reação internacional
Alguns países já sinalizaram cautela. a França informou que não ingressará no órgão, citando conflitos com o mandato da ONU. Analistas destacam o risco de duplicidade de funções entre a Board of Peace e a ONU, além de preocupações sobre a concentração de poder em Trump.
A representação de democracias ocidentais parece reduzida e gera dúvidas sobre legitimidade e governança do grupo. Governos questionam se o formato pode comprometer normas internacionais existentes ou criar um polo paralelo de decisão.
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