- O Papa Leão XIV aceitou a renúncia do arcebispo de Nova Orleans, Gregory Aymond, após ele ter se reunido com sobreviventes de abusos de clérigos.
- A arquidiocese já havia concordado em pagar cerca de US$ 305 milhões a aproximadamente 600 sobreviventes, em um acordo ligado à falência da instituição.
- O Vaticano demorou a aceitar a renúncia, enquanto Aymond acompanhava o desfecho do processo de proteção por falência iniciado em 2020.
- O substituto de Aymond será o arcebispo James Checchio, que já atuava como administrador da arquidiocese ao lado de Aymond.
- A arquidiocese de Nova Orleans é uma das mais antigas dos Estados Unidos e já esteve sob investigação sobre abuso sexual e suposto encobrimento por diversos arcebispos, incluindo o caso envolvendo o sacerdote Lawrence Hecker.
Pope Leo XIV aceitou na quarta-feira a renúncia do arcebispo de Nova Orleans, Gregory Aymond, anunciando o desfecho de uma trajetória marcada por denúncias de abuso clerical. A renúncia ocorre após Aymond cumprir uma série de encontros com sobreviventes do escândalo que envolve a liderança da igreja local há anos.
O arcebispo havia encaminhado sua renúncia ao Vaticano ao completar 75 anos em novembro de 2024, conforme o protocolo da Igreja Católica. O Vaticano, porém, manteve Aymond no cargo até que a diocese entrasse em proteção de falência, processo aberto em 2020.
Em dezembro, a arquidiocese e seus seguradoras concordaram em pagar cerca de 305 milhões de dólares a aproximadamente 600 sobreviventes. Entre as condições, Aymond realizou encontros diários com grupos de vítimas na região de Nova Orleans entre 6 de fevereiro e esta semana.
Contexto do acordo e substituição
Mais tarde, a Conferência de Bispos Católicos dos EUA e a arquidiocese de Nova Orleans anunciaram que o Vaticano aceitou a renúncia. O substituto será James Checchio, ex-bispo de Metuchen, New Jersey, que já atuava ao lado de Aymond na administração da arquidiocese antes de assumir de vez.
Checchio destacou, em nota, que os meses desde a sua chegada passaram rapidamente, com o objetivo de entender a região e servir aos cerca de 500 mil católicos locais. Aymond, que chegou a Nova Orleans em 2009 vindo de Austin, Texas, tinha apresentado, durante o processo de falência, a expectativa de resolver a questão com cerca de 7 milhões de dólares, incluindo indenizações aos abusados.
A decisão pela indenização maior veio após reformas políticas locais, que permitiram aos sobreviventes processar civilmente danos por abusos passados, alteração aprovada pela legislatura da Louisiana em 2021 e confirmada pelo supremo estadual em 2024. Em investigações jornalísticas, quatro arcebispos de Nova Orleans teriam protegido de autoridades um padre abusivo, Lawrence Hecker.
Hecker foi acusado de abuso sexual infantil, declarou culpa no tribunal e morreu na prisão em dezembro de 2024, aos 93 anos. As investigações também analisaram se a arquidiocese operou uma rede de exploração infantil mantida em segredo, sem reportar aos órgãos de fiscalização. Até o momento, nenhum supervisor direto de Hecker foi acusado de crime no caso ligado a ele.
A arquidiocese de Nova Orleans é uma das mais antigas dos Estados Unidos e figura entre as entidades que recorreram à proteção de falência após o escândalo global de abuso clerical. Segundo fontes acadêmicas, a diocese pagou indenizações em parte devido a mudanças legais que ampliaram a possibilidade de responsabilização civil.
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