- Em Bangladesh, a eleição geral promete ser a primeira livre e justa em 17 anos, após a queda do regime de Hasina em agosto de 2024.
- O Jamaat e-Islami, partido islamista, ganhou força e aparece como adversário significativo da BNP, enquanto o Awami League está impedido de disputar a eleição.
- Grupos de mulheres preocupam-se com o avanço de políticas conservadoras e o possível retrocesso dos direitos femininos na sociedade e no mercado de trabalho.
- O Jamaat e-Islami apresentou um manifesto de reformas, segurança para as mulheres e combate à corrupção, mas não apresentou nenhuma candidata mulher.
- Jovens eleitores, especialmente mulheres, têm mostrado apoio ao Jamaat e-Islami, enquanto críticas apontam que menos de 5% das candidaturas da BNP são femininas.
As eleições gerais de Bangladesh se aproximam, o país vive um clima de tensões políticas, com ares de mudança e de retaliação. Manifestantes de mulheres marcharam pela capital Dhaka na virada do dia, em protesto contra o avanço de correntes islâmicas na política, em meio a denúncias de retrocesso aos direitos femininos.
A oposição apresenta-se fortalecida após anos de perseguição, com candidatos em atividade e com comícios permitidos pela primeira vez em muito tempo. Enquanto o ex-primeiro-ministro Sheikh Hasina enfrenta processo judicial e exílio, o panorama eleitoral promete grande disputa entre velhas forças e novas bandeiras.
Surgimento de Jamaat e o papel das mulheres
A Jamaat e-Islami, partido islâmico historicamente bloquado, tenta recuperar espaço político, posicionando-se como alternativa à principal bancada oposicionista. Embora o partido tenha um manifesto de reforma, não apresenta candidatas mulheres.
Observa-se, no entanto, que a retórica e as propostas do grupo elevam preocupações sobre a segurança e os direitos das mulheres, especialmente no mercado de trabalho e na educação formal. Relatos de comunidades locais indicam pressões sociais associadas a normas religiosas mais rígidas.
Desafios para candidaturas femininas
Mesmo com a retórica de modernização do programa, várias candidatas enfrentam barreiras estruturais. No espectro oposicionista, a participação feminina é limitada, e a presença de lideranças femininas no panorama eleitoral permanece rasa.
Profissionais de educação e pesquisa apontam que uma parte do eleitorado jovem vê as mudanças como oportunidade de ruptura com dinastias políticas, ainda que tenha receios quanto à influência de pautas conservadoras. A participação feminina continua a ser tema central de debate.
Contexto histórico e cenário atual
Bangladesh tem uma história turbulenta de política entre o Awami League e a BNP, com acusações de corrupção e práticas antidemocráticas. A mobilização de Jamaat surge em meio a esse quadro, com expectativas de voto que podem influenciar o resultado final.
Especialistas ressaltam que muitos apoiadores da Jamaat são motivados por descontentamento com o status quo político, e não apenas por posição ideológica. A eleição é vista como um teste para o equilíbrio entre secularismo e pressões religiosas.
Perspectivas e próximos passos
Entre os candidatos jovens e iniciantes no cenário, surgem vozes que defendem reformas, combate à corrupção e segurança pública. Alguns membros de partidos alinhados com Jamaat destacam mudanças de composição e potencial participação futura de mulheres nas listas eleitorais.
Analistas indicam que o desfecho pode depender de dinâmicas regionais, redes de apoio locais e da capacidade de mobilizar eleitores jovens, que representam parcela significativa do censo. O pleito segue sob observação de organizações nacionais e internacionais.
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