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IA substitui tratados nucleares, segundo analistas

Com o New START expirado, especialistas discutem monitoramento remoto por satélites e IA como possível ponte para verificação nuclear, mas com desafios

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Illustration: Jim Heimann/Getty Images
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  • O novo acordo de controle de armas nucleares entre EUA e Rússia expirou, em 5 de fevereiro, encerrando o maior tratado restante entre os dois países.
  • Pesquisadores defendem um caminho intermediário: monitoramento remoto com satélites, sensores e inteligência artificial, com verificação humana posterior, sem inspeções no terreno.
  • A ideia é usar IA para reconhecer padrões e mudanças em silos, lançadores móveis e locais de produção de plutônio, com dados fedos cooperativamente coletados entre as nações.
  • Desafios incluem a necessidade de grandes conjuntos de dados específicos por país, cooperação entre potências e dúvidas sobre a confiabilidade e a explicabilidade de IA.
  • Historicamente houve queda de arsenais de mais de sessenta mil para pouco mais de doze mil ogivas; o debate atual envolve como manter verificação sem inspeções presenciais, diante de tensões crescentes.

O último grande tratado de controle de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia expirou recentemente, deixando o regime vigente sem acordo formal. Especialistas sugerem que uma combinação de satélites, inteligência artificial e revisões humanas pode substituir a verificação presencial. O debate ganha força em um cenário de volatilidade geopolítica.

Pesquisadores avaliam deslocar o modelo tradicional para um sistema de monitoramento remoto. A ideia é usar infraestrutura existente, como satélites, para observar silos de ICBMs, lançadores móveis e instalações de produção de plutônio, com IA filtrando dados para revisão humana. A proposta visa reduzir a necessidade de visitas on-site.

Entre os protagonistas, Matt Korda, do Federation of American Scientists (FAS), e Igor Morić defendem um conceito chamado meios técnicos cooperativos. Segundo eles, o objetivo é combinar sensores remotos com verificação mútua, mantendo a confiança entre as potências sem inspeções no território. O sistema dependeria de cooperação entre países.

Nova START, acordo que limitava arsenais entre EUA e Rússia, expirou no início de fevereiro. Ainda assim, os dois países sinalizaram manter o status quo por ora. Observadores apontam que a construção de novas armas nucleares continua com investimentos bilionários.

Críticos receiam que depender de IA expanda falhas técnicas. A pesquisadora Sara Al-Sayed, da Union of Concerned Scientists, destaca a necessidade de dados granulares sobre objetos em diferentes plataformas: mísseis, lançadores, submarinos, sítios de produção e armazenamento. A qualidade dos dados é central.

Outra dúvida envolve o papel da IA: qual tarefa ela executaria? Detectar presença, classificar alvos ou monitorar mudanças ao longo do tempo? Observadores ressaltam que modelos de IA exigem conjuntos de dados amplos e específicos por país, o que complica a verificação remota.

Especialistas ressaltam ainda as dificuldades técnicas. A confiabilidade de sistemas de IA, a explicabilidade de suas decisões e vulnerabilidades a falhas de segurança tornam o cenário desafiador. Mesmo assim, alguns veem a abordagem como um “ponte” para além da ausência de acordos.

Para manter algum controle, os pesquisadores defendem a combinação entre cooperação política e tecnologia. A ideia é que, com aceitação entre as partes, a verificação remota possa evitar um retorno ao espionagem puro, reduzindo a tentação de novas corridas armamentistas.

O consenso entre defensores é que qualquer regime futuro exigiria accordos sobre como IA e sensores operam, além de compromissos sobre transparência e supervisão humana. A viabilidade política continua sendo o maior obstáculo à implementação.

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