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Campanha de segurança online é acusada de censurar falas de adolescentes

Acusação aponta que a Childnet censurou trechos de dois adolescentes no Safer Internet Day, levantando questionamentos sobre o envolvimento de financiadores de tecnologia

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
The teenagers in their speeches had referred to social media as ‘one of the worst psychological addictions in history’ and an ‘imminent threat to our future’. Photograph: Daniel de la Hoz/Getty Images
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  • A organização britânica Childnet, financiada em parte por empresas de tecnologia dos EUA, editou falas de dois jovens palestrantes no Safer Internet Day de 2024, em Londres, removendo alertas sobre vício em redes sociais.
  • Os jovens eram Lewis Swire, então com 17 anos, de Edimburgo, e Saamya Ghai, então com 14 anos, de Buckinghamshire, convidados para falar diante de representantes do governo, ONGs e empresas de tecnologia.
  • Trechos cortados incluíam advertências sobre redes sociais como fonte de isolamento, depressão e ansiedade, além de críticas à “rolagem” constante e à ideia de gastar anos seguindo conteúdo online.
  • Swire afirmou que percebeu a censura apenas ao receber a versão final do discurso, descrevendo a experiência como difícil e como uma quebra de confiança com a organização.
  • A CEO da Childnet, Will Gardner, negou que edições tenham sido feitas para agradar financiadores e afirmou que ajustes de tom podem ocorrer, mas que jovens ainda podem expressar seus pontos; ativistas criticaram o suposto enquadramento dos jovens.

O Childnet, organização britânica de segurança online, é alvo de acusações de censura envolvendo dois jovens convidados para falar no Safer Internet Day de 2024, em Londres. A denúncia envolve a edição de falas que tratavam de dependência de redes sociais e de questões de bem-estar digital, segundo registros de edições obtidos pelo Guardian.

Lewis Swire, então com 17 anos e morador de Edimburgo, e Saamya Ghai, com 14, de Buckinghamshire, participaram do evento diante de representantes de governo, entidades beneficentes e empresas do setor. Segundo os documentos, trechos sobre vício em redes sociais, rolagem contínua e efeitos na saúde mental foram removidos ou alterados pela organização.

A edição também suprimiu referências a crianças sentirem-se impossibilitadas de parar de usar TikTok e a alegações sobre isolamento agravado pela presença de plataformas como Snap e TikTok. Além disso, havia uma passagem que questionava o tempo dedicado a rolar conteúdos e a assistir a séries, como Netflix, repetidamente.

Childnet informou que não alterou discursos para agradar financiadores e afirmou que permitiria que jovens apresentassem seus pontos. Ainda assim, o material aprovado reconhecia que o tempo excessivo diante de telas pode levar a depressão e ansiedade, e sugeria que empresas de redes sociais reduzissem notificações, autoplay e streaks para prolongar o engajamento.

Swire afirmou ter se sentido censurado pela forma como as falas foram tratadas pela organização. Segundo ele, uma linha cortada descrevia jovens pedindo “uma corda para sair da areia movediça” e criticava a relação entre redes sociais e a psicologia exploratória de jogos de azar. Ao descobrir a remoção, ele tentou inserir uma linha semelhante de volta ao texto.

Ghai classificou como chocante a supressão de pontos que considerava relevantes para o debate sobre a indústria. Swire contou que algumas alterações ficaram visíveis apenas no rascunho final enviado pouco antes de sua apresentação. Will Gardner, CEO da Childnet, nega ter editado para favorecer financiadores e afirmou que há limitações inerentes ao formato do evento, mas que jovens podem expressar seus pontos.

Gardner disse ainda que não houve remoção de conteúdo por receio de prejudicar relações com investidores de tecnologia. A organização recebe parte de seus recursos de empresas do setor, mas sustenta que isso não compromete a voz institucional.

Críticos destacam que vozes juvenis não devem ser submetidas a censuras para proteger interesses comerciais de grandes plataformas. Figuras associadas a movimentos de educação digital afirmam que o objetivo é manter a veracidade e a integridade das falas, sem distorções para atender a financiadores.

Até o momento, a edição de falas permanece sob escrutínio público, com a próxima edição do evento prevista para ocorrer em 2026, envolvendo milhares de instituições de ensino. As informações são baseadas em registros de edição e declarações oficiais da organização, sem conteúdo divulgado por fontes externas.

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