- O tratado New START, último acordo de limitação de arsenais entre Estados Unidos e Rússia, expira em 4 de fevereiro, sem negociações para extensão.
- Juntos, EUA e Rússia detêm cerca de 87% das armas nucleares do mundo, e a expiração pode encerrar mecanismos de verificação, notificação e conformidade.
- O fim do acordo pode acelerar uma corrida nuclear global e permitir aumentos no número de ogivas em uso, com possibilidade de dobrar arsenais estratégicos.
- O New START estabelecia limites de 700 mísseis balísticos intercontinentais e lançados por submarinos, 1.550 ogivas implantadas e 800 lançadores, com inspeções in loco e trocas de dados.
- Não há sinal de acordo novo para controle de armas; a Rússia já indicou disposição de manter limites por mais um ano se os EUA agirem, mas não há entendimento trilateral com a China.
O Tratado de New START expira hoje, 4 de fevereiro, reforçando a vulnerabilidade nuclear entre Rússia e Estados Unidos. Não há negociações em curso para prorrogação, e os líderes não apresentaram acordo. A caducidade encerra um regime de verificação e limites que perdurava há mais de uma década.
O acordo, assinado em 2010, limitava ogivas estratégicas, mísseis balísticos intercontinentais e plataformas lançadoras, com mecanismos de inspeção e troca de dados. Hoje, os dois países detêm a grande maioria das armas nucleares do mundo, mantendo, ainda assim, capacidades atualizadas e em constante evolução.
Entre 2010 e 2018, o tratado reduziu limites como 700 mísseis, 1.550 ogivas implantadas e 800 lançadores. O regime de verificação incluía notificações quase diárias e inspeções in loco com simetria de dados, aumentando a transparência entre as partes.
A suspensão parcial por parte da Rússia, em 2023, complicou o funcionamento do acordo, mantendo o registro numérico, mas interrompendo acordos de troca de dados de estoque e de inspeções locais. Mesmo assim, a Rússia afirmou cumprir os limites numéricos, enquanto os Estados Unidos não houve resposta formal à retomada de cooperação.
O contexto político inclui falas de autoridades dos EUA e ações de líderes russos. A gestão de Donald Trump desvalorizou a possibilidade de prorrogação, enquanto Joe Biden prorrogou o tratado em 2021, sem prever novas renegociações. Hoje, não há consenso para um novo acordo trilateral com a China, nem indicação de pauta rápida para um novo regime de controle.
Especialistas destacam riscos de aumento de incerteza e de potencial expansão de arsenais. Sem verificação, trocas de dados e notificações, há espaço para maior desconfiança entre Moscou e Washington, com impactos indiretos sobre a segurança global e a dissuasão nuclear.
O fim do New START levanta perguntas sobre o que acontecerá depois. Analistas apontam possibilidades de crescimento relativo dos arsenais e da atuação militar estratégica, caso não haja acordo substituto claro em um futuro próximo.
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