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Guatemala enfrenta risco à democracia nos próximos meses, diz Arévalo

Arévalo afirma que os próximos meses são decisivos para reconquistar o aparato de justiça, enfrentando resistência de poderes corruptos e violência, com apoio internacional

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Bernardo Arévalo en el Foro Económico Internacional América Latina y el Caribe, en Panamá, el 28 de enero.
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  • Guatemala vive um momento crítico entre recuperação institucional e resistência de um Estado com histórico de corrupção, com o estado de sítio ainda em vigor.
  • O presidente Bernardo Arévalo afirma que, nos próximos meses, ocorrerá a substituição de cargos-chave na judicatura e na fiscalia, com a participação de candidatos independentes e comprometidos com a justiça.
  • O governo enfrentou tentativas de desestabilização, incluindo ataques e motins em prisões; a resposta foi rápida e sem vítimas, recobrando o controle em 24 horas.
  • Há apoio internacional, especialmente dos Estados Unidos, e cooperação contra o crime transnacional, considerado ameaça central para a segurança regional.
  • O governo argumenta que tem feito avanços em educação, saúde e infraestrutura, investindo em escolas, hospitais e municípios pobres, e reforça a necessidade de renovação institucional com participação de profissionais independentes.

Bernardo Arévalo afirma que os próximos meses definirão a sobrevivência da democracia na Guatemala. Em entrevista concedida ao jornal espanhol El País, durante o Fórum Econômico CAF em Panamá, o presidente aborda os desafios de consolidar reformas judiciais diante de resistência histórica de setores poderosos. O impulso é ligar a melhoria social à defesa da separação de poderes.

O mandatário, de 67 anos, assume que o país vive um momento crítico, com ataques de grupos agrupados ao longo do aparato público e pressões para manter privilégios antigos. Desde janeiro de 2024 no poder, Arévalo vem enfrentando manobras para desacreditar a gestão e várias tentativas de desestabilização ligadas ao Ministério Público e ao Congresso. O governo também enfrenta violência decorrente de motins carcerários.

O que está em jogo envolve a indicação de figuras-chave na judicatura e na procuradoria, em meio a uma ofensiva contínua contra a agenda de reformas. Arévalo diz que a participação de profissionais independentes e comprometidos com a justiça é crucial para o equilíbrio institucional e para o combate à corrupção.

Mudanças na justiça e resistência

O presidente relata que já houve tentativas de impedir mudanças por vias judiciais e políticas. Segundo ele, após vencer a primeira e a segunda volta das eleições, houve esforço para questionar a legitimidade do pleito e para criar obstáculos dentro do aparato público. A tensão persiste, com ações para influenciar decisões judiciais e deputados.

Ele cita incidentes recentes, como a tomada de três prisões com uso de reféns, descritos como tentativa de desestabilizar e restabelecer privilégios de líderes de gangs. A resposta governamental, segundo Arévalo, foi rápida e objetiva, com recuperação do controle das unidades prisionais sem ferir pessoas.

Apoio internacional e lei contra a violência

Desde a vitória na primeira volta, o governo tem recebido apoio de parceiros internacionais, especialmente dos Estados Unidos, na luta contra o crime transnacional. Arévalo destaca que a cooperação envolve combate ao narcotráfico, que ele aponta como motor da corrupção estatal. Em recente reconfiguração diplomática, o país reforçou o respaldo da embaixada norte-americana.

No terreno interno, o governo defende ações firmes contra a violência, incluindo a aplicação de legislação antipandilhas. Arévalo afirma que as medidas buscam equilibrar segurança pública com respeito aos direitos, mantendo o foco na construção de uma base institucional sólida para o desenvolvimento.

Futuro institucional e visão de governo

Ao falar sobre o que virá após estes meses críticos, Arévalo afirma que não controlará instituições independentes, mas aguardará que novos gestores assumam com autonomia. O objetivo é restabelecer o funcionamento normal do sistema de justiça e permitir que o governo dirija esforços para infraestrutura, saúde e educação.

O presidente cita avanços já realizados: ampliação de escolas, construção de unidades de saúde, melhoria de estradas e investimentos em infraestrutura em municípios menos favorecidos. Ele ressalta que houve renegociação de orçamento e aumento de investimentos para programas sociais e obras públicas.

Perspectivas regionais e críticas ao autoritarismo

Sobre o cenário regional, Arévalo rejeita apoiar governos autoritários e defende soluções em respeito ao direito internacional. Ele critica a tendência de movimentos de direita e esquerda extremas, afirmando que a democracia precisa de renovação para ampliar o bem-estar de diferentes populações.

Ao ser questionado sobre o papel da própria sociedade, o presidente enfatiza a mobilização interna em favor da legalidade, com participação de lideranças indígenas e apoio internacional, como da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia. O objetivo é manter a legitimidade das instituições durante a transição.

Agenda para o médio prazo

A prioridade é selecionar candidatos competentes e independentes para a Procuradoria-Geral e para a Corte de Constitucionalidade, minimizando intervenções políticas. Arévalo aponta que, com mudanças institucionais em curso, é possível reverter processos considerados espúrios e fortalecer o Judiciário.

O presidente encerra destacando que a transformação em curso visa ampliar a qualidade de vida da população, com foco em educação, saúde, habitação e infraestrutura, ao mesmo tempo em que se assegura a separação entre poderes e o combate à corrupção.

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