- O grupo Boervolk of the Orange Free State reivindica propriedade de parte de KwaZulu-Natal, próximo à fronteira com Lesoto, e publicou a reivindicação no diário oficial na semana passada.
- Alega que o terreno foi adquirido por afrikaaner a partir do rei Zulu Dingaan e Mpande, com a Inglaterra levando o território na segunda Guerra Anglo‑Boer e incorporando-o à África do Sul.
- Afirma que a terra nunca foi de Britain nem poderia ter sido transferida ao Union of South Africa em 1910, e, portanto, não pertence ao governo da maioria negra que assumiu o poder em 1994.
- A reivindicação cita acordos de “comprador e vendedor dispostos” com Dingaan e Mpande, além de comparar com a pergunta de legitimidade levantada por críticas a heranças coloniais de outros países.
- O governo sul-africano já permitiu uma comunidade branca separata em Orania, mas é improvável que aceite a pretensão do Boervolk de Orange Free State.
O grupo Boervolk do Estado Livre do Orange afirma ter acesso a uma terra em KwaZulu-Natal, próximo à fronteira com Lesoto, e publicou a reivindicação no diário oficial na semana passada. A alegação cita uma resolução da ONU que concede independência a estados coloniais.
Segundo a declaração do grupo, a posse decorre de acordos de “comprador e vendedor dispostos” com os reis Zulus Dingaan e Mpande, e não de domínio britânico ou sul-africano. A organização diz que a Grã-Bretanha jamais possuía a terra.
Historiadores apontam que, de acordo com a história regional, o território foi tomado à força pela Grã-Bretanha na Segunda Guerra Anglo-Boer e integrado à África do Sul no início do século XX. O grupo sustenta que o domínio não é legítimo para o governo negro.
O Boervolk não detalha planos de ocupação ou de governança, e não houve resposta de seus porta-vozes aos pedidos de comentário enviados por e-mail. Também não houve posicionamento imediato do departamento de reforma agrária da África do Sul.
A questão ocorre em meio a um debate histórico sobre propriedade de terras entre brancos sul-africanos e comunidades negras desde o fim do apartheid, em 1994. O governo já permitiu a instalação de uma comunidade branca restrita, em outra região, porém sob condições estritas.
A imprensa consultada pela Reuters lembra que o movimento Orania, já estabelecido no rio Orange, é o único grupo branco separatista reconhecido pelo aparato estatal, e que não se espera consenso para a reivindicação apresentada pelo Boervolk.
Fonte: reportagem de Tim Cocks, edição de Timothy Heritage.
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