- O orçamento deste ano foi aprovado pelo governo francês usando poderes constitucionais para não passar pelo parlamento, após meses de impasse.
- O governo ficou à prova em duas votações de moção de censura na noite de segunda-feira e acabou mantendo a estabilidade.
- O Partido Socialista concordou em não votar contra o governo, em troca de concessões, incluindo a suspensão das mudanças de pensão propostas por Macron.
- O orçamento prevê aumento de gastos com defesa em 6,5 bilhões de euros e busca reduzir o déficit para 5% do PIB em 2026.
- A crise política vem de eleições antecipadas em 2024 e o foco atual inclui as eleições municipais no próximo mês e a presidencial de 2027.
O governo francês aprovou o orçamento deste ano após meses de impasse e uma sequência de moções de censura. A Câmara dos Deputados não votou diretamente o texto, pois foi aprovado por poderes constitucionais especiais, evitando a votação parlamentar direta. Mesmo assim, o governo enfrentou novas moções de confiança.
Sébastien Lecornu, primeiro-ministro, disse que os franceses “refazem o caminho” para que as instituições funcionem. O orçamento foi apresentado com a promessa de fortalecer as despesas de defesa em 6,5 bilhões de euros. A aprovação ocorreu após a Socialist Party concordar em não votar contra, em troca de concessões, incluindo suspensão de mudanças nas aposentadorias.
Hervé Saulignac, deputado socialista, afirmou que o partido cumpriu seu dever e evitou o pior para o país, destacando que sem orçamento haveria agravamento da crise econômica. A meta oficial é reduzir o déficit de 5,4% do PIB em 2025 para 5% em 2026, embora o recuo esperado tenha ficado aquém do previsto com o rompimento da reforma da aposentadoria.
O desfecho ocorre em meio a quase dois anos de negociações envolvendo o presidente Emmanuel Macron e a tríade de governos desde 2024. Usuários e mercados ficaram atentos a impactos da política orçamentária na dívida e na credibilidade da França junto a parceiros europeus.
Contexto político
A crise institucional (2024-2025) foi deflagrada por mudanças de governo e eleições incompletas, com o lançamento de uma eleição antecipada em 2024 e a formação de uma aliança de esquerda com força expressiva, mas sem maioria absoluta. O impacto alcançou o parlamento e as estratégias do governo para aprovar medidas domésticas.
O que vem a seguir
Lecornu pretende manter o cargo até 2027, buscando avançar projetos como uma lei de proteção aos agricultores e uma proposta sobre eutanásia assistida e cuidados paliativos. Enquanto isso, o governo continua tentando articular políticas internas diante da abstenção parlamentar ainda dominante.
Cenário eleitoral
As eleições municipais ocorrem no próximo mês. A eleição presidencial de 2027 permanece como foco central da política nacional, com o presidente Macron priorizando política externa e relações com parceiros europeus, além de meerder respostas a tensões com os EUA.
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