- Milhares de tchecos, segundo organizadores entre oitenta mil e noventa mil, foram às Praças da Cidade Velha e de Wenceslas, em Praga, neste domingo, para apoiar o presidente Peter Pavel.
- Pavel se opôs à nomeação de Filip Turek para o Ministério do Meio Ambiente em governo de coalizão euroscética, após Turek ter feito saudação nazista e publicado memorabilia ligada ao nazismo.
- Turek recebeu críticas por esse comportamento, que ele atribui a gosto duvidoso, não a apoio ao nazismo ou ao racismo.
- Pavel tornou públicas mensagens supostamente enviadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Petr Macinka, que teriam dito haver “consequências” se o presidente continuasse a se opor à nomeação; as mensagens foram encaminhadas para análise pela Agência Nacional de Crimes Organizados.
- O ministro Macinka disse que as mensagens faziam parte de uma negociação política e rejeitou a acusação de chantagem; protestos adicionais estão marcados para 15 de fevereiro em outras cidades.
O presidente da República Tcheca, Petr Pavel, recebeu apoio massivo neste domingo em Praga, após recusar a aprovação da nomeação de um ministro para o novo governo de coalizão euroscético. A nomeação de Filip Turek, ligado ao partido Motorists, havia sido alvo de críticas devido a um cumprimento nazista e à publicação de objetos de memorabilia nazista.
O conflito entre Pavel e o governo se intensificou na última semana, quando o presidente apontou mensagens de texto enviadas pelo assessor do ministro das Relações Exteriores, Petr Macinka, que teriam insinuado consequências se ele continuasse a se opor à nomeação. Turek integra a coalizão formada pelo ANO de Andrej Babis, pela Motorists e pela SPD.
Apoiadores lotaram a Praça da Cidade Velha e a Praça Venceslas, com bandeiras da União Europeia e da República Tcheca. Ao longo do dia, a organização estimou entre 80 mil e 90 mil manifestantes; a Polícia não divulgou estimativa oficial de público. Manifestações semelhantes devem ocorrer em outras cidades em 15 de fevereiro.
Contexto político
Babis formou a coalizão após vencer as eleições de outubro, reunindo o ANO com o Motorists e o SPD, de linha ultranacionalista e pró-Rússia. Pavel nomeou Babis ao cargo de primeiro-ministro em dezembro, mas rejeitou Turek e tornou públicas as mensagens de Macinka, anunciando encaminhamento à Polícia Nacional de Organização Criminosa para avaliação.
Macinka rejeitou as acusações de chantagem, afirmando tratar-se de uma negociação política comum. Em entrevista à televisão, o assessor afirmou que a política exige resistência e que pessoas no topo devem enfrentar pressões.
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