- Em 1º de maio de 1985, Djordje Martinovic, agricultor de Gjilan, chegou a um hospital com uma garrafa de vidro alojada no reto e alegou ter sido atacado por dois albaneses.
- A versão atacou não só o caso médico, mas inflamou o conflito político entre sérvios e albaneses no Kosovo, alimentando culpas étnicas.
- Inicialmente, as autoridades não acreditaram na história; relatório do Serviço de Segurança do Kosovo afirmou que ele teria se ferido ao quebrar a garrafa durante masturbação anal.
- Depois, Martinovic foi transferido para Belgrado, e a versão de masturbação foi rejeitada por médicos locais, sendo vista como tentativa de encobrir abusos contra sérvios.
- O caso tornou-se símbolo da crise Kosovo, contribuindo para o aumento do nacionalismo sérvio e para o contexto que levou às guerras dos anos noventa e à declaração de independência do Kosovo em 2008.
Um caso antigo, cuja narrativa ganhou contornos políticos intensos, volta à tona para ilustrar as tensões entre sérvios e albaneses em Kosovo. Em 1º de maio de 1985, um agricultor sérvio, Djordje Martinovic, deu entrada em um hospital com uma garrafa de vidro alojada no reto. O relato inicial apontava lesão causada por consensual atividade sexual, mas surgiram versões alternativas.
A polícia e autoridades de Kosovo estavam céticas com a versão apresentada. Em Belgrado, exames médicos divergiram do relato, sugerindo que a garrafa teria sido inserida durante masturbação anal. A imprensa local passou a cobrir o caso com amplo destaque, enquanto o debate público se volvava político.
Contexto histórico
Naquela época, a Iugoslávia era formada por seis repúblicas, incluindo Sérvia e Kosovo. Kosovo abrigava sérvios e albaneses, com maioria albanesa e minoria sérvia, o que já gerava tensões. O caso Martinovic acabou virando símbolo de disputas identitárias e de narrativas de violência entre grupos étnicos.
As alegações de agressão, vindo de Martinovic, alimentaram acusações de abuso por parte de albaneses contra sérvios. A versão divulgada pela imprensa reforçou imagens de violência e uma percepção de opressão sérvia em Kosovo, ampliando o debate público e político.
Desdobramentos
O caso passou a influenciar o discurso nacionalista na região. Especialistas destacaram que a história pode ter sido explorada por interesses locais e por autoridades para moldar a opinião pública. O episódio foi citado como um gatilho simbólico na crise que se intensificaria nos anos seguintes.
Ao longo da década de 1990, Kosovo viveu escaladas adicionais de conflito, com consequências que moldaram a geopolítica dos Bálcãs. O confronto político e militar culminou em guerras e, mais tarde, na declaração de independência de Kosovo em 2008, ainda não reconhecida pela Sérvia.
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