- Crescem os chamados por uma investigação independente sobre o número de mortos nos protestos, após o governo anunciar que publicaria os nomes das vítimas.
- A contagem oficial, divulgada pela Fundação do Mártir, é de 3.117 mortos, incluindo membros das forças de segurança; há alegações de que o número possa chegar a 30 mil.
- Reformistas contestam a proposta governamental por não ser suficientemente transparente e defendem a criação de um site público para divulgar os nomes com verificação de informações.
- A união de professores de Teerã e analistas reformistas solicitam transparência e a participação de uma organização internacional, como a ONU, para checagem independente.
- O debate também envolve a necessidade de enfrentar as causas da desconfiança entre Estado e sociedade, com relatos de detenções em massa, principalmente de jovens entre 1980 e 1985.
O governo iraniano anunciou que supervisionaria a divulgação dos nomes das pessoas mortas durante os protestos recentes, medida destinada a conter alegações de crimes contra a humanidade e a reduzir a distância entre o Estado e a sociedade. A proposta foi apresentada na última quinta-feira.
Advogados e reformistas questionaram a transparência do processo, argumentando que ele não resolve a controvérsia sobre o número de mortes. Não houve confirmação de que a lista pública traria informações independentes suficientes.
Entre os envolvidos, Mohsen Borhani, professor da Universidade de Teerã, elogiou a ideia, mas pediu a criação de um site aberto para que familiares possam registrar casos sem identificação, com verificação posterior das informações.
O governo afirma que a lista oficial, divulgada pela Fundação Martyr, aponta 3.117 mortes, incluindo integrantes das forças de segurança. Números não oficiais apontam até 30 mil mortos, alimentando desconfiança sobre os dados oficiais.
O tema gerou ampla cobrança dentro do país. A União de Professores de Teerã pediu a libertação de todos os detidos, acusando repressão generalizada e recordando que o episódio é visto por muitos como um dos mais sangrentos da história recente.
Outros atores chamaram para soluções internacionais. Ahmad Zeidabadi, analista reformista, sugeriu que a ONU envie uma equipe de investigação para irrefutavelmente apurar os fatos, para reduzir dúvidas entre Estado e sociedade.
A Frente Reformista, aliança de grupos pró-reformas, também pediu formação de um comitê independente para investigar o que classificou como desastre sem precedentes e apresentar relatório transparente à nação.
Ali Mojtahedzadeh, advogado reformista, afirmou que o governo precisa atuar nas causas profundas da desconfiança, fortalecendo a sociedade civil para evitar crises semelhantes no futuro.
Em paralelo, Hassan Rouhani, ex-presidente, comentou que os protestos expuseram a necessidade de mudanças estruturais, citando formação de novas forças políticas e revisão de critérios de elegibilidade eleitoral.
Separadamente, um comitê não oficial foi criado para identificar quem permanece detido. Autoridades continuam vasculhando o país em busca de supostos cabos da organização dos protestos. Estima-se que dezenas de milhares estejam detidos.
Entre na conversa da comunidade