- Em 2025, a América Latina ficou entre esforços de conservação de ecossistemas e pressões de crime organizado e extrativismo, com COP30 ocorrendo no Brasil e atualizações de planos nacionais de biodiversidade e clima.
- O desmatamento atingiu recorde, com 6,7 milhões de hectares de floresta primária perdidos em 2024, impulsionado por queimadas, seca e grilagem de terras.
- Crimes ambientais cresceram, especialmente mineração ilegal e extração de madeira, levando governos a ações de fiscalização, mas com violência contra defensores ambientais.
- Trajetórias nacionais destacaram avanços e desafios: Colômbia emergiu como líder regional, México lançou um programa de restauração ambiental e Chile avançou em legislação de biodiversidade, enquanto Peru, Equador e Venezuela enfrentaram instabilidade e pressões extrativas.
- Um passo regional relevante foi o acordo trilateral entre México, Belize e Guatemala para criar o Corredor Biocultural da Grande Floresta Maia, visando coordenação de conservação e gestão comunitária em grande área florestal.
O ano de 2025 confirmou o embate entre conservação ambiental e exploração econômica na América Latina. Em meio a avanços legais e financeiros para proteger florestas, oceanos e biodiversidade, o crime organizado, a mineração, a agropecuária e outras atividades extrativas ampliaram seus footprints na região. O resultado foi uma melhoria regional em normativas, mas deterioração ambiental persistente.
Governos atuaram para fortalecer marcos legais e planos de ação, como estratégias nacionais de biodiversidade e compromissos climáticos com foco em restauração e participação de povos indígenas. Ainda assim, a perseguição a crimes ambientais, como garimpo ilegal e exploração florestal, seguiu intensa em várias frentes.
Contexto regional e cenários
A região abriga parte relevante da biodiversidade mundial, com imensa cobertura de florestas tropicais e reservas de minerais estratégicos para a transição energética. Em 2025, estas pressões intensificaram-se, com áreas florestais enfrentando desmatamento, secas, incêndios e conflitos com áreas protegidas e comunidades locais.
Apesar de avanços, a violência contra defensores ambientais aumentou. Regiões como a Amazônia registraram ações de grupos criminosos atuando em territórios com controle local, levando a ataques e riscos para quem atua na proteção de ecossistemas.
Lideranças nacionais e mudanças institucionais
A Colômbia destacou-se como líder ambiental regional, com fortalecimento de políticas de biodiversidade, cooperação amazônica e financiamento ambiental. O país também elevou o reconhecimento de direitos indígenas e expandiu a governança de áreas protegidas.
No México, a gestão de Claudia Sheinbaum trouxe promessa de liderança climática, com iniciativas de restauração ambiental, expansão de áreas verdes urbanas e impelimento de exportações agroindustriais com padrões de sustentabilidade. Entretanto, a matriz energética ainda depende fortemente de combustíveis fósseis.
Desafios em Chile, Peru, Equador e além
Chile avançou na legislação climática e na criação de um serviço unificado de biodiversidade, mas enfrenta desafios de qualidade do ar e de demonstração de eficácia regulatória. Peru viu retrocessos em governança ambiental diante de instabilidade política e expansão de garimpo e petróleo, com riscos adicionais para áreas amazônicas.
No Equador, o aprofundamento de políticas extrativistas, com redução de salvaguardas ambientais, gerou tensões com comunidades indígenas e aumento de conflitos. Venezuela permanece sob tensão, com atividades de mineração ilegal e controle de regiões por grupos criminosos, ainda que haja ações de endurecimento governamental.
Governança regional e cooperação
Especialistas apontam que a coordenação regional é essencial para enfrentar cadeias de valor ilegais e proteger ecossistemas sensíveis. Projetos transfronteiriços ganham relevância, como iniciativas para conservar grandes corredores florestais e assegurar participação comunitária na gestão de recursos naturais.
O início de acordos multilaterais entre países vizinhos também sinaliza uma resposta mais integrada a desafios comuns, como garimpo irregular, crimes ambientais e degradação de áreas de importância estratégica.
Perspectivas para 2026
Especialistas destacam a possibilidade de avanços significativos caso haja implementação efetiva de políticas, maior transparência de dados ambientais e maior cooperação entre governos, povos originários e setores da sociedade civil. O papel de mecanismos de assistência internacional e monitoramento independente pode influenciar resultados práticos em restauração, proteção de ecossistemas e combate a crimes ambientais.
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