- Moody’s rebaixou a classificação de crédito de Budapeste para Ba1, de Baa3, e colocou em revisão para uma possível nova queda, citando liquidez fraca e disputas legais sobre o imposto de solidariedade com o governo nacional.
- A ação ocorre em um momento delicado para a cidade, administrada pelo prefeito Gergely Karácsony, com o primeiro-ministro Viktor Orbán possivelmente enfrentando eleições em abril.
- A Moody’s apontou que a liquidez de Budapeste dificulta o pagamento de obrigações até 31 de dezembro de 2025, aumentando o risco de crédito de curto prazo.
- O relatório destaca incerteza sobre o timing e recebimento de transferências ordinárias, além de liquidez muito fraca para absorver gaps de caixa inesperados.
- O crédito também reflete a disputa fiscal com o governo central sobre o imposto de solidariedade, que subiu para 76 bilhões de forints em 2024 e deve chegar a 89 bilhões em 2025, com fundos da UE parcialmente congelados.
Moody’s reduziu o rating de crédito de Budapeste para Ba1, de Baa3, e instaurou revisão para um novo corte, citando liquidez fraca e disputas legais sobre impostos com o governo nacional. A decisão ocorre em meio a um cenário fiscal sensível para a cidade, governada pelo prefeito liberal Gergely Karácsony.
A administração da capital húngara enfrenta conflito com o governo de Viktor Orbán sobre o chamado imposto de solidariedade, que tem peso nas finanças locais. A cidade aponta que a cobrança aumentou acentuadamente nos últimos anos e compromete o orçamento.
Segundo a Moody’s, a posição de liquidez demonstra capacidade limitada de honrar obrigações até o fim de 2025, com incerteza sobre o timing de transferências e déficits de caixa. O crédito de Budapeste permanece sob risco de downgrade adicional por possível aceleração do pagamento de dívida de longo prazo.
Contexto financeiro e riscos
A agência destacou a instabilidade do financiamento, agravada pela possível antecipação de saques de dívidas. Além disso, o valor do imposto de solidariedade, cobrado ao governo central, aumenta a vulnerabilidade fiscal da cidade e a exposição a disputas legais.
O relatório observa também o efeito de fundos da União Europeia parcialmente congelados. A UE congelou bilhões de euros de apoio ao país, alegando violações democráticas. Orban afirmou que o governo está disposto a oferecer um colchão financeiro para Budapeste.
Perspectivas e próximos passos
A Moody’s informou que a revisão para downgrade reflete o maior risco de default e a pressão sobre o ritmo de pagamento da dívida. A avaliação considera ainda a possibilidade de mudanças no fluxo de caixa, caso haja novos entraves legais ou prazos de transferências adiantados.
Karácsony reagiu, atribuindo a queda de rating a políticas fiscais consideradas pelo município como inadequadas pelo governo central. A administração de Budapeste continua buscando soluções para manter o equilíbrio orçamentário frente aos entraves institucionais.
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