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Messi não é autista: como surgiu a fake news e por que circula

Boato de 2013 de que Messi seria autista é desmentido pela família e pelo médico; desinformação reforça estereótipos sobre TEA

Lionel Messi, com barba ruiva e cabelo castanho, veste a camisa branca e azul da Argentina, erguendo o braço esquerdo tatuado em celebração
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  • Em 27 de agosto de 2013, o jornalista brasileiro Roberto Amado publicou um texto afirmando que Messi teria recebido diagnóstico de Síndrome de Asperger aos 8 anos, na Argentina, o que gerou a fake news.
  • O texto não trazia documentos, relatos familiares ou confirmação médica, e associava timidez e estilo de jogo a traços do autismo, usando comparações com o filme Rain Man.
  • A família de Messi e o médico que tratou o jogador negaram o diagnóstico; o médico afirmou que Messi nunca foi diagnosticado com Asperger ou autismo.
  • A história voltou a circular ao longo dos anos, sendo alvo de desmentidos oficiais e de notas públicas de figuras como o pai de Messi, o biografista Guillem Balagué e especialistas.
  • Casos públicos de uso pejorativo do termo e a insistência de que há autismo sem confirmação destacam os riscos da desinformação sobre o tema e a diversidade do espectro autista.

Messi teve associada na internet uma narrativa sem comprovação de autismo quando criança. A história começou no Brasil em 2013, ganhou força online e circulou por anos, mesmo com negatórias públicas.

A origem remete a um texto de Roberto Amado, publicado em 27 de agosto de 2013, que afirmava um diagnóstico de Síndrome de Asperger aos 8 anos, ainda na Argentina. O texto não apresentava documentos ou confirmações médicas.

O conteúdo baseava-se em interpretações de traços do jogador, como timidez, reserva e estilo de jogo, sem indicar avaliação clínica. A comparação com o personagem Rain Man ajudou a reforçar a ideia equivocada sobre o autismo.

Contexto e desdobramentos

Poucos dias após a publicação, Romário divulgou a história nas redes, citando o suposto diagnóstico. O pai de Messi, Jorge Messi, negou a informação e cogitou medidas legais. Romário disse ter apenas compartilhado o que circulava no Brasil.

Em resposta, o uol consultou o endocrinologista que tratou Messi na infância, que informou que o jogador não recebeu diagnóstico de Asperger nem de autismo. O médico confirmou tratamento por deficiência de crescimento aos 9 anos.

Jornalistas especializados e biografias autorizadas também esclareceram o tema, reforçando que não há registro médico ou biográfico que comprove o diagnóstico. A narrativa continuou voltando a cada alguns anos.

Repercussões e contexto atual

Em 2017, durante programa de TV, o tema voltou a aparecer com outra leitura, que foi corrigida ao vivo pela apresentadora. Em 2020, o tema reapareceu quando um ex-jogador fez uso pejorativo do termo, gerando retratação pública.

Especialistas apontam que esse tipo de desinformação incentiva estereótipos sobre o autismo. A ideia de que pessoas autistas seriam necessariamente geniais é simplificação inadequada do TEA.

Observações finais

Especialistas em TEA destacam a diversidade do espectro e a necessidade de diagnósticos realizados por profissionais qualificados. Não há confirmação de diagnóstico médico de Messi em fontes oficiais ou reconhecidas.

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