- Desde 1947, o Congresso recebeu 511 projetos de lei relacionados ao futebol, com muitos arquivados ao longo do tempo.
- Entre as propostas arquivadas, havia ideias curiosas como eleição direta para técnico da seleção e shows musicais obrigatórios nos intervalos das partidas.
- Propostas de antidoping para árbitros existiram, com o objetivo de submeter árbitros e assistentes a exames, igualando regras aos atletas.
- O tema da arbitragem com vídeo antecipou o debate do VAR: ideias em 1975 e 1982 sugeriam uso de imagens para analisar jogadas, mas foram rejeitadas.
- Também houve a ideia de shows no intervalo: 1974 defendia bandas amadoras obrigatórias; em 1981, projeto defendia apresentações para entreter e melhorar a segurança nos estádios, mas foi rejeitado.
Desde 1947, deputados e senadores apresentaram 511 projetos ligados ao futebol no Congresso Nacional. Levantamento do g1, com dados da Câmara, mostra propostas arquivadas que hoje soam curiosas, como eleições diretas para técnico e shows musicais nos intervalos.
Entre as ideias, a eleição direta para técnicos e dirigentes da seleção ganhou força em 1986 com o PL 8.482, do deputado Antonio Pontes. A justificativa criticava convocações da seleção e citava cortes de jogadores na Copa do México. O texto questionava critérios de Telê Santana.
Ao longo dos anos, outras propostas tentaram influenciar a comissão técnica da seleção. Em 1990, Antônio Curiati sugeriu a entrada de dois ex-campeões da Copa na comissão, sustentando que a experiência em campo poderia revitalizar o futebol nacional.
Outra vertente tratou de antidoping para árbitros. O PL 8.497, de 1986, de Pontes, previa exame para árbitros e assistentes em todo o país, equiparando regras com atletas. Partidas sem fiscalização poderiam não ser reconhecidas pela Justiça Desportiva.
Em paralelo, o tema do uso de tecnologia na arbitragem já era discutido. Em 1975, Ney Lopes propôs a video-fita para julgar lances de jogos profissionais. Em 1982, Pedro Lauro ampliou a ideia com quatro telões nos estádios para revisar jogadas.
Ambos os projetos foram rejeitados na época, abrindo caminho para o VAR apenas em 2019, após ação da Confederação Brasileira de Futebol. A iniciativa mostrou que as primeiras tentativas ocorreram décadas antes da prática adotada no futebol brasileiro.
Nas décadas de 1970 e 1980, o Legislativo também discutiu shows no intervalo. Em 1974, Braz Nogueira propôs apresentações obrigatórias de bandas amadoras durante as partidas. A ideia buscava preservar patrimônio cultural e atrair público.
Em 1981, Daniel Silva voltou ao tema com o PL 4.561, defendendo música nacional para entrelinhas dos jogos. A proposta argumentava que os shows manteriam torcedores dentro dos estádios e contribuiriam para reduzir violência.
Por fim, as propostas foram rejeitadas. Críticos afirmaram que a ideia violava livre iniciativa e imitava modelos de espetáculos esportivos estrangeiros, enquanto os defensores apontavam benefícios culturais e de entretenimento.
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